Pensamento...

"Eu sou o Colombo da minha alma e diariamente descubro nela novas regiões." | Gibran Khalil Gibran.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

POR QUE ESTAMOS AQUI?


Considerando a grandeza do Universo
E a certeza de que Deus não erra,
O fato de nós estarmos na Terra
Resulta de um destino incontroverso.

Por certo, já estivemos aqui antes,
Em outros tempos, em outras culturas,
Vivenciando infinitas desventuras,
Presos à condição de seres errantes.

De encarnação em encarnação,
Aos poucos, vamos nos elevando,
Degrau após degrau, galgando
A imensa escada da evolução.

Todavia, chega um dado momento,
No longo curso de alguma existência,
Que no espaço sagrado da Consciência
Verifica-se estranho acontecimento.

Olhamos para dentro da gente,
Bem no íntimo do coração,
E vemos surgir, com emoção,
Uma claridade refulgente.

É o instante do nosso despertar,
Quando nos damos conta
Dos valores de grande monta
Que esquecemos de ajuntar.

A nossa vida então se transforma,
Deixamos de vagar ao léu,
Tomando as diretrizes do Céu
Como caminho, direção e norma.

Compreendemos que aqui estamos,
Segundo a vontade do Pai Maior,
A fim de dar o nosso melhor
Em benefício daqueles que amamos.

sábado, 29 de maio de 2010

TESTEMUNHOS DE CHICO XAVIER - SUELY CALDAS SCHUBERT


Umberto Eco, famoso escritor italiano, afirmou certa feita que o mundo está cheio de livros preciosos que ninguém lê. Se esta afirmação é verdadeira para a literatura universal, também o é para a literatura espírita. Há excelentes obras de caráter doutrinário que permanecem ignoradas do grande público espírita. Uma dessas obras é Testemunhos de Chico Xavier, de Suely Caldas Schubert, publicado pela FEB.
Trata-se de uma análise primorosa da correspondência de Francisco Cândido Xavier com Antônio Wantuil de Freitas, presidente da Federação Espírita Brasileira durante vinte e sete anos consecutivos. Abarcando um período que vai de 1943 até 1964, ela revela um dos períodos mais importantes da história do movimento espírita brasileiro.
Neste ano, quando se comemora o centenário de nascimento do médium mineiro e a figura histórica confunde-se com a mítica, Testemunhos de Chico Xavier mostra-nos um homem como qualquer outro, com os seus conflitos e dramas, mas com o diferencial de aplicar em todas as circunstâncias de sua vida, sobretudo nas mais difíceis, o Evangelho de Jesus.
Chico Xavier e Wantuil de Freitas formaram uma parceria que fomentou o desenvolvimento e a difusão do Espiritismo no Brasil. Todas as obras psicografadas pelo médium passavam por um exame criterioso, algumas delas tendo o seu conteúdo alterado pelos autores espirituais à pedido do Departamento Editorial da FEB. O caso mais notório talvez seja o do livro Libertação, do espírito André Luiz, que trazia informes novos sobre a realidade espiritual, como a “morte” do perispírito e nuances do processo obsessivo. O presidente da FEB teve dificuldade para entender e aceitar os princípios que eram ali desenvolvidos e ao manifestar a sua incompreensão obteve de André Luiz o aviso de que reescreveria parte da obra, pois se ele com toda a sua bagagem doutrinária não conseguira assimilar as suas “revelações”, o que se dirá dos demais...
Testemunhos de Chico Xavier traz confidências do médium e depoimentos surpreendentes que não se encontram em outras obras. É leitura obrigatória para quem deseja conhecer melhor a intimidade deste grande homem.
Excertos:
I - “(...) Foi Emmanuel que também me disse um dia – 'Não te aflijas com os que te batem – o martelo que atormenta o prego com pancadas fá-lo mais seguro e mais firme'.” (Testemunhos de Chico Xavier, p.264).
II - “Imaginas que eu, sem qualquer expressão no movimento doutrinário, isolado no sertão agreste de Minas, tenho recebido todos os nomes grosseiros conhecidos. Tudo quanto é 'acusação', as mais esquisitas, tem vindo sobre mim. Há dias em que me sinto enlouquecer, porque registro a carga pesada de fluidos venenosos que me atiram. Mas Deus há de auxiliar-nos. Ele nos ajudará a chegar até o ponto em que nos for permitido seguir, por Sua Divina Vontade.” (Testemunhos de Chico Xavier, p.177).
III - “(...) Fiz a pergunta ao nosso amigo André Luiz e envio-te a resposta. Já tive dois casos de congelamento de mãos em passes que dei a irmãos agonizantes e fique satisfeito com a explicação do nosso amigo espiritual. Noto muita diferença nas sensações em passes de que sou intermediário. Atualmente, o nosso companheiro Dr. Rômulo é quem se incumbe dessa seção de serviços do nosso grupo em Pedro Leopoldo e, a conselho de Emmanuel, só funciono quando ele não está, em vista da multiplicidade das sensações que nos surpreendem nesses serviços […]. Há pouco tempo, nesse trabalho, vi a cena que preocupava o doente – um crime por ele cometido há trinta anos. O caso foi para mim doloroso. E é tão grande e tão complexo que não cabe numa carta. Faço a referência tão-só para comentarmos a complexidade dessa tarefa (...)”. (Testemunhos de Chico Xavier, p.220).
IV - “(...) Tenho recebido, meu amigo, cartas insultuosas e observações bem duras, quanto aos livros desse mensageiro espiritual [André Luiz] que nos veio ensinar quanto é nobre e sublime a vida superior.” (Testemunhos de Chico Xavier, p.241).
V - “(...) Começar é fácil, continuar é difícil e chegar ao fim é crucificar-se, diz o nosso Emmanuel para designar uma tarefa cristã.” (Testemunhos de Chico Xavier, p.247).
VI - “Com Jesus e com o tempo não há problema insolúvel.” (Testemunhos de Chico Xavier, p.251).
VII - “(...) Emmanuel costuma dizer-me que 'quando aceitamos o incenso do mundo, vamos perdendo o contato com a Vontade de Deus' (…).” (Testemunhos de Chico Xavier, p.272).
VIII - “(...) Os nossos Benfeitores Espirituais costumam afirmar que só os inúteis não possuem adversários e que a paz procurada pela maioria das criaturas é simplesmente a paz fantasiosa do cemitério.” (Testemunhos de Chico Xavier, p.277).
IX - “Fiquei satisfeito por haveres identificado a personalidade de José Bonifácio em Ruy Barbosa. Já me achava de posse dessa informação. Quando José Bonifácio partiu levou grande amor e reconhecimento à Bahia e reencarnou-se lá, quase de imediato, para prosseguir no trabalho de libertação do País. Antes era a Independência e, em seguida, a Abolição do cativeiro e a República. Como vemos, as tarefas continuam... (...)”. (Testemunhos de Chico Xavier, p.292).
X - “Ultimamente, estou frequentando, fora do corpo físico, uma noite por semana, uma Escola do Espaço em que o nosso abnegado Emmanuel é professor de Doutrina Espírita. Confesso que é uma experiência maravilhosa. Estou aprendendo o que nunca pensei em aprender e tenho conservado a lembrança do que vejo, com o auxílio dos Amigos do Alto.” (Testemunhos de Chico Xavier, p.368).

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A COMPREENSÃO DA MORTE E UMA NOVA MUNDIVIDÊNCIA


1 – A atual mundividência.

Cada período histórico é marcado por um conjunto de características específicas que lhe confere relativa unidade. Dentre estas características, destacasse a mentalidade ou imaginário. Constituindo a maneira como um determinado indivíduo e uma determinada sociedade representam e interpretam o mundo, a visão e o entendimento que possuem da realidade da qual fazem parte, a mentalidade influencia diretamente o comportamento do homem, formando as linhas-mestras pelas quais se guiará na vida.
A mentalidade que predomina em nosso tempo é produto de uma longa evolução iniciada há mais ou menos cinco séculos, coincidindo com a ruptura dos modelos teocráticos que estavam em vigor, com a emancipação política, social e intelectual do homem, com o progressivo desenvolvimento da ciência, com o advento da tecnologia, com o rápido avanço dos meios de comunicação, com a vulgarização do conhecimento e da cultura, com a reavaliação do papel da mulher na sociedade, com a globalização, etc.
Fruto das transformações significativas que o homem e a sociedade sofreram nos últimos séculos, a nossa mentalidade compõe um complexo caleidoscópio que é difícil de ser visualizado num único golpe de vista, sendo ainda mais difícil relacionar entre si as imagens que o configuram. Diante de tal complexidade, qualquer modelo que pretenda descrevê-la pecará pela incompletude. Não se quer aqui apresentar um modelo explicativo da mentalidade corrente, pretende-se tão somente destacar algumas das suas características mais salientes, tais como: a perspectiva materialista, a preocupação exclusiva com o aqui-e-agora, os cuidados excessivos com a aparência, o hedonismo, a crescente artificialização das relações sociais, a dificuldade de lidar com as emoções, a competitividade, o culto ao dinheiro e ao que ele pode comprar, a degradação do meio-ambiente, a promiscuidade e a prostituição nas relações afetivas, e por aí vai.
Realizando a intermediação entre o homem e o mundo, a mentalidade é o eixo em torno do qual giram os nossos pensamentos e hábitos, os nossos comportamentos e atitudes... Reconfigurando a mentalidade, a partir de padrões éticos e morais mais elevados, reconfiguraríamos a forma como o homem pensa e se comporta, bem como as relações que mantêm com os outros e com o meio-ambiente em que vive.
Nossos esforços devem ser concentrados na reconfiguração da nossa mentalidade, pois ela é a chave para uma vida mais justa e equânime, mais equilibrada e feliz.

2 – O surgimento de uma nova mundividência.

Toda mentalidade surge, desenvolve-se, atinge um ponto culminante, predomina durante algum tempo, sofre desgastes e rupturas, enfrenta lenta ou rápida decrepitude e termina por desaparecer. A mentalidade atual não foge à regra, podendo ser situada entre a fase de predominância e a de desgastes e rupturas. Uma evidência disto é a tomada de consciência quanto aos múltiplos problemas por ela gerados e a paulatina emergência de novos valores, idéias e atitudes.
Destacou-se acima, como uma das principais características da mentalidade vigente, a perspectiva materialista e as preocupações imediatistas que dela resultam. Essa característica parece alicerçar nossa mundividência, fundamentando seus pressupostos e idiossincrasias. Pois é justamente nesse ponto que se verifica o surgimento de uma nova tendência: o progressivo interesse pelos temas ligados à espiritualidade.
Na contramão das expectativas da maioria dos pensadores dos séculos XIX e XX, que afirmavam a morte de Deus e a inexistência de qualquer coisa além da matéria, este retorno do homem para o espiritual e para os valores que ele enseja, vem demonstrar a falência do materialismo, possibilitando uma nova compreensão de si mesmo, do outro, da vida, do mundo...
Em diferentes partes do mundo é possível identificar, ainda que através de minorias criativas, o aparecimento de novos modelos explicativos do homem e do universo que não desconsideram, como o fazem os modelos em vigor, os aspectos espirituais da vida.
É, pois, a partir desta nova tendência de busca pelo campo espiritual que se formará uma nova mentalidade, mais consentânea com as necessidades e inquietações do presente.

3 – A compreensão da morte como paradigma para uma nova mundividência.

Um dos maiores paradoxos do nosso tempo é o da despreocupação em relação à morte. Por impositivo biológico: nascemos, vivemos e morremos... O absurdo consiste em vivermos como se nunca fôssemos morrer. A questão da morte segue sendo tabu em nosso meio. Não se deve ou não convém falar à respeito, como se o fato de ignorar o fenômeno da morte fosse, de alguma forma, retardá-la ou impedi-la.
Por mais longa que seja a vida na Terra, ela sempre terá um termo. Como a morte sempre chega para todos, por que tanta resistência em considerá-la? Por que fingir que ela nunca chegará para nós? Essas duas perguntas podem ser respondidas com facilidade. A nossa mentalidade, genericamente, associa à morte não só o fim da vida física, mas o fim de tudo. Morreu, acabou! É o ponto final dos amores, das afeições legítimas, das amizades sinceras... Por isso a morte, em nossa cultura, está inelutavelmente ligada à tristeza.
A visão da morte como o fim de tudo, entretanto, não condiz com a realidade. Há inúmeras evidências que positivam a sobrevivência do ser após à morte. Citando apenas algumas: a experiência de quase morte, na qual a pessoa, por ter sofrido um acidente ou uma parada cardíaca, vê-se fora do corpo físico, preservando a sua individualidade e mantendo a consciência do que está ocorrendo em seu derredor; as visões em leito de morte, nas quais a pessoa que está na iminência da morte vê e até conversa com entes queridos que já estão mortos há muitos anos; as experiências de desdobramento, nas quais o indivíduo, voluntariamente, consegue projetar sua consciência para fora do corpo físico; as comunicações mediúnicas, que ocorrem de mil modos diferentes, atestando inequivocamente que a vida continua após à morte... Diante disto, é inevitável encarar a morte de frente e procurar uma solução para o seu problema.
Infelizmente, por reforços contínuos, a temática da morte é sempre evitada, quando deveria ser estudada com seriedade e sem idéias preconcebidas. Com raras exceções, os estudiosos se recusam em trazer para dentro do espaço acadêmico a discussão sobre o fenômeno da morte, temendo sofrer alguma represália ou retaliação por parte dos seus pares. Se a morte não fosse o tabu que é em nossa cultura, com certeza teríamos mais informações à seu respeito, decorrentes de pesquisas sérias e seguras.
Quando a morte e o que vem depois dela for mais estudado e, por conseguinte, melhor compreendido, operar-se-á uma significativa mudança em nossa mentalidade, mudança esta que se refletirá diretamente em nossos padrões comportamentais, resultando num novo tipo de homem e num novo tipo de sociedade.

4 – A proposta espiritista.

Desde a segunda metade do século XIX, quando surgiu, o Espiritismo vem apresentando uma proposta alternativa para a solução dos grandes enigmas existenciais. Ao formar um sistema de pensamento original, baseado na observação, na experimentação e na interpretação dos fenômenos mediúnicos, aqueles em que um indivíduo que já morreu se manifesta, o Espiritismo representa um modelo explicativo da realidade muito mais abrangente e completo do que os demais que estão em voga no presente.
Esclarecendo a origem, a natureza e a destinação do homem, o Espiritismo responde as eternas indagações da filosofia e, em assim fazendo, oferece um roteiro inigualável para a reconfiguração da nossa mundividência.
Em resumo, o Espiritismo explica que: 1- todos somos Espíritos imortais; 2- fomos criados por Deus, simples e ignorantes; 3- preexistimos e sobrevivemos ao corpo físico; 4- esta não é a primeira vez que estamos aqui, pois encarnamos, desencarnamos e reencarnamos periodicamente; 5- o nosso objetivo existencial é o desenvolvimento de todas as nossas potencialidades; 6- não estamos sós no Universo, havendo uma pluralidade infinita de mundos habitados; 7- em nosso derredor existem Espíritos em diferentes faixas vibratórias que não percebemos mas que, muitas vezes, interferem em nossas vidas; 8- é possível a comunicação entre vivos e mortos; 9- as leis divinas possuem validade em toda parte, devendo nos orientar a conduta; 10- somos responsáveis pelos pensamentos, palavras e ações que produzimos, respondendo por eles.
Levado às suas últimas consequências, o Espiritismo impõe uma profunda modificação do modo como se vê a realidade e, por extensão, do modo como se interage com ela.
Aquele, pois, que aceita a proposta espiritista, está se comprometendo, automaticamente, com a sua autotransformação, desencadeando um processo de reação em cadeia, influenciando para melhor as pessoas que lhe cercam e, assim, o mundo como um todo.

terça-feira, 25 de maio de 2010

O SILÊNCIO DAS AMPLIDÕES



Nos horizontes do Infinito,
Onde se perde o nosso olhar,
Miríades de estrelas a brilhar
Num festival de luz indescrito.

Mas, nosso pensamento restrito,
Pequenino demais para voar
E as alturas siderais devassar,
Cai sobre si mesmo, contrito!

E, genuflexos e de mãos postas,
À procura de muitas respostas,
Nos voltamos ao Altíssimo.

Em uma prece irrefreável,
Em palavras, impronunciável,
Perante um Céu Sereníssimo!

domingo, 23 de maio de 2010

FASES FORMATIVAS DO ESPIRITISMO

No dia 25 de abril de 1960, o médium Francisco Cândido Xavier, em uma reunião pública da Comunhão Espírita Cristã, localizada na cidade de Uberaba, em Minas Gerais, ante os olhares atentos de dezenas de pessoas, psicografa uma mensagem muito interessante, que vinha assinada pelo seu mentor espiritual, Emmanuel.
De um modo simples e ao mesmo tempo profundo, a mensagem apresenta, em linhas gerais, o processo de formação do Espiritismo, desde as primeiras manifestações mediúnicas, que se renovaram na transição da Idade Moderna para a Idade Contemporânea, porquanto as mesmas são verificáveis em todos os tempos e lugares, até o trabalho meticuloso de Allan Kardec que, a partir da observação e da análise destas manifestações, elaborou um sistema doutrinário extremamente complexo que oferece ao ser humano uma visão surpreendente da sua origem, natureza e destinação.
Emmanuel, afirmando que a intervenção espiritual sobre o mundo obedece a uma planejamento bem definido, divide o processo formativo do Espiritismo em três fases principais, expressas no título que deu a sua mensagem: Aviso, chegada e entendimento. Faremos, a seguir, um breve exame de cada uma dessas fases, destacando as características mais importantes.
Primeira Fase – Aviso.
Do surgimento do homem sobre a Terra aos dias atuais, as manifestações mediúnicas ocorreram de forma incessante, em todas as épocas da História, desempenhando um relevante papel no desenvolvimento humano, que ainda não foi compreendido perfeitamente.
A fase que Emmanuel denominou de Aviso, entretanto, estende-se de 1744 até 1844, marcos temporais que correspondem ao ponto culminante da vida de dois homens: Emmanuel Swedenborg e Andrew Jackson Davis, respectivamente. Ambos são apontados como precursores imediatos do Espiritismo. Um e outro são os portadores do aviso quanto a realidade espiritual.
Swedenborg, nascido na Suécia, no século XVIII, foi um grande intelectual, dominando diversas áreas do conhecimento humano, como a engenharia e a teologia. De um momento para outro, desenvolveu poderosas faculdades que lhe colocaram em relação com o mundo espiritual. Passou a enxergar inúmeras entidades espirituais, que se hierarquizavam em graus distintos de virtude e saber, através das quais tomou conhecimento sobre as múltiplas realidades que aguardam o homem após a sua morte.
Pela posição importante desfrutada no cenário político da sociedade de então, ao invés de sofrer algum tipo de perseguição, como ocorrera com outras pessoas dotadas das mesmas faculdades, que chegaram a ser torturadas e mortas, Swedenborg continuou gozando de grande reputação nos meios esclarecidos, chamando a atenção para as suas faculdades e para as esferas invisíveis que nos cercam.
Mas no século XVIII, em quase todo o continente europeu, ainda predominava o absolutismo monárquico e, em alguns países como a França, persistia a divisão da sociedade em estamentos (primeiro, segundo e terceiro estado), herança dos tempos medievais, somando milhões de pessoas que seguiam entre a miséria e o analfabetismo. Nesse contexto, as revelações de Swedenborg não atingiram as massas, ficando circunscritas a um pequeno número de seguidores, no aguardo dos tempos vindouros, em que pudessem ser melhor compreendidas.
Davis, por sua vez, nasceu nos Estados Unidos, no século XIX, mais precisamente em 1826, e, diferentemente de Swedenborg, a sua formação intelectual não foi muito além da alfabetização. Entretanto, desde a infância, sua vida foi assinalada por eventos insólitos, denunciando a intervenção de forças ocultas, como a audição de vozes que lhe davam toda a sorte de conselhos e a visão tanto de seres que eram invisíveis para as demais pessoas, como de acontecimentos que estavam ocorrendo há muitos quilômetros de distância.
Em 1844, Davis tem as experiências mediúnicas mais intensas de toda a sua vida, passando a visualizar, como Swedenborg também o fizera, as múltiplas faixas da realidade espiritual. As suas experiências e as descrições que fez das mesmas tiveram ampla repercussão, chamando a atenção de um grande número de pessoas.
O período compreendido entre 1744 e 1844, coincidindo com as experiências anímicas e mediúnicas vivenciadas por Swedenborg e por Davis, representa o aviso de que a realidade não se restringe ao corpo físico, ao mundo material, preparando o caminho para uma compreensão mais ampla da existência humana, dos seus objetivos e finalidades.
Segunda Fase – Chegada.
O final da década de 40 e o início da década de 50 do século XIX compõem a segunda fase da classificação de Emmanuel, chamada por ele de Chegada. Nesta época, as manifestações mediúnicas se multiplicaram na América e na Europa, numa proporção extraordinária, despertando o interesse geral para o inquietante problema da sobrevivência após a morte, suscitado pelas comunicações daqueles que eram impropriamente tidos por mortos.
O ano de 1848 é considerado o marco inicial dessa fase. É em Hydesville, um pequeno vilarejo do Estado de Nova York, na casa da Família Fox, que acontece a chegada. O Sr. e a Sra. Fox eram fazendeiros e muito religiosos, seguindo uma corrente do Protestantismo. Tinham vários filhos, mas apenas duas meninas ainda moravam com eles, Kate de onze anos e Margaret de catorze. O casal e as filhas levavam uma vida pacata e normal quando estranhos fenômenos passaram a perturbar a ordem doméstica. Pancadas repetidas e sons estranhos, que não se sabia de onde vinham, tornaram-se frequentes, modificando a rotina da família. A situação acabou tornando-se insustentável. Vizinhos acorreram para tentar decifrar o mistério de tais acontecimentos, mas sem sucesso. Pastores foram chamados para explicar a causa das batidas, mas também não obtiveram êxito. Na noite de 31 de março de 1848, diante da intensidade das pancadas, a filha mais nova, Kate Fox, desafiou a força invisível que ali atuava a repetir as batidas que ela dava com os dedos. O pedido de Kate foi atendido, evidenciando uma inteligência atrás daquelas batidas, que era capaz de compreender e se comunicar.
A partir do desafio proposto por Kate, teve início um processo de comunicação rudimentar com aquela força invisível, através das pancadas. Logo se convencionou que uma pancada seria “sim” e duas seria “não” e, em seguida, surgiu a idéia de atrelar o número de pancadas ao número de ordem ocupado por uma determinada letra no alfabeto, o que permitiu a obtenção de respostas mais amplas. Aquela força invisível revelou ser um Espírito, declinou o seu nome, Charles Rosna, esclarecendo que havia sido um mascate, um vendedor ambulante. Ele fora cobrar a dívida de uma compra realizada pelos antigos moradores da casa onde agora os Fox residiam. O casal o acolheu com hospitalidade, mas como não tinham dinheiro para quitar o débito, resolveram assassinar o mascate e enterrar o seu corpo no porão da casa. E foi o que fizeram. O Espírito encontrava-se inconformado pela injustiça que sofrera...
A notícia do que havia ocorrido na casa da Família Fox espalhou-se tão rápido quanto o vento, atraindo uma multidão de curiosos que vinham ver com os próprios olhos e participar do diálogo estabelecido com um morto. O que ocorreu na casa dos Fox generalizou-se de tal forma que de todas as partes do mundo vinham informes de acontecimentos semelhantes. Era a chegada da comunicação direta entre os vivos e os mortos.
As comunicações, todavia, não ficaram restritas às pancadas. Houve uma rápida evolução nos meios de comunicação com o mundo dos mortos: as pancadas e os movimentos de objetos diversos logo deram lugar aos fenômenos da escrita e da voz direta, à materialização dos espíritos, a ponto de poderem ser tocados, à clarividência e clariaudiência, bem como aos processos mais eficientes da psicografia e da psicofonia, largamente conhecidos e utilizados na atualidade.
A manifestação dos mortos revelava, entre outras coisas, a existência da alma, a imortalidade e a comunicabilidade com aqueles que se julgava terem partido para sempre. Era toda uma realidade ignorada que vinha à tona.
Terceira fase – Entendimento.
Na França, sobretudo em Paris, a comunicação com os mortos se tornou moda, dando-se principalmente através das chamadas mesas-girantes, que passaram a ser o momento culminante das reuniões e saraus. Transformando-se num dos entretenimentos prediletos das elites parisienses, dificilmente alguém que vivera nessa época não tenha participado, ao menos uma vez, de uma sessão de mesas-girantes.
Foi no ano de 1854, contudo, que um respeitado intelectual e educador, o Sr. Hippolyte Léon Denizard Rivail, ouviu falar pela primeira vez nas tais mesas-girantes, vindo em seguida a presenciar o fenômeno. No que a maioria considerava um mero passatempo, o Sr. Rivail identificou a solução para os problemas da vida e da morte, da dor e do destino, da desigualdade e da injustiça..., solução esta que ele vinha procurando desde a sua infância. Era como se o véu que encobria antigos mistérios se rasgasse por completo diante dele.
O Sr. Rivail tornou-se uma assíduo frequentador de sessões de mesas-girantes, passando a observá-las e a pesquisá-las metodicamente. Participou de sessões com a Sra. Roger e com a Sra. Plainemaison, convencendo-se da autenticidade do fenômeno. Mas foi na casa da Família Baudin, onde duas meninas serviam de medianeiras, que teve a oportunidade de travar um contato direto e constante com os Espíritos. Preparava meticulosamente questões de cunho filosófico, sobre os temas mais diversos, que propunha aos Espíritos. Obtendo, deste modo, um grande número de respostas que ia colecionando e organizando de forma rigorosa. As perguntas e respostas por ele acumuladas assumiram a dimensão de um livro.
Numa das sessões que o Sr. Rivail participou, manifestou-se um dos seus guias espirituais, revelando que ele havia vivido no século I a.C., na Antiga Gália, sendo um sacerdote druida, chamado Allan Kardec. O Sr. Rivail, que possuía já várias publicações no campo pedagógico, resolveu adotar o pseudônimo Allan Kardec para publicar o livro decorrente de suas longas pesquisas e de seu estreito contato com o mundo espiritual. No dia 18 de abril de 1857 aparecia a primeira versão de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, marcando a gênese do Espiritismo.
O Sr. Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec, de 1854, quando teve seu primeiro contato com a fenomenologia mediúnica, até 1869, quando morreu, produziu uma extensa e monumental bibliografia, consolidando um novo sistema de pensamento que oferece ao homem a equação dos seus maiores problemas, lançando luz sobre as antigas preocupações filosóficas: de onde vim?, o que estou fazendo aui?, para onde vou?
O período que vai de 1854 até 1869 é para Emmanuel a fase do Entendimento, na qual Allan Kardec se destaca como o responsável pela codificação de uma nova doutrina, a Doutrina Espírita ou Espiritismo, cuja origem repousa nas comunicações mediúnicas e na sua análise, encerrando em si mesma uma verdadeira síntese do conhecimento humano, até hoje inigualável, que se destina a ampliar a compreensão do homem quanto à sua realidade existencial.

sábado, 22 de maio de 2010

JESUS, GUIA MEUS PASSOS!


Jesus, querido amigo,
Vendo-Te ao meu lado,
Apoiando-me em teus braços,
Fico muito emocionado!

Nunca me deixes ao léu,
Perdido e desesperado,
Com o coração em pedaços,
Sentindo-me só e abandonado.

Que tu possas seguir comigo,
Mantendo-me amparado,
Sendo o Guia dos meus passos
Na direção do homem renovado!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A PAZ EM NÓS



Do início dos tempos até os dias que correm, a humanidade consumiu-se em guerras fratricidas que espalharam o caos e a desolação.
O século XX presenciou as duas maiores guerras de toda a História, sem mencionar os inúmeros conflitos de natureza política, econômica e religiosa que dizimaram milhares de vidas.
Mesmo o mundo estando num estado de guerra permanente, sempre houve pessoas engajadas na busca de uma solução pacífica para os problemas desencadeadores dos conflitos beligerantes.
Estas pessoas, animadas pelos mais elevados e nobres ideais, propuseram e lutaram pela paz, porque traziam a paz dentro de si mesmas.
A condição do mundo não mudou muito nas últimas décadas. Existem, na atualidade, dezenas e dezenas de conflitos distribuídos em todas as partes do mundo, revelando a incapacidade do homem de viver em harmonia com os seus semelhantes e a predominância de interesses particulares, que não têm levado em conta o bem comum.
Allan Kardec, preocupado com o problema da paz, interrogou os Espíritos Superiores sobre as causas da guerra, ao que eles responderam: “Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das paixões. No estado de barbaria, os povos um só direito conhecem – o do mais forte. Por isso é que, para tais povos, o de guerra é um estado normal. À medida que o homem progride, menos frequente se torna a guerra, porque ele lhe evita as causas, fazendo-a com humanidade, quando a sente necessária1.”
Para os Espíritos Superiores, portanto, a animalidade e as paixões, que caracterizam o homem de ontem como o de hoje, respondem pela ocorrência dos dramas bélicos. Tivesse já superado os atavismos ancestrais do seu ser e voltado sua atenção para as coisas espirituais, a paz não seria ainda uma utopia e sim uma realidade concreta na vida de cada homem.
As guerras sucessivas, pode-se afirmar, nada mais são do que pálido reflexo das guerras que o indivíduo trava em seu mundo interior. Adolf Hitler, cheio de problemas e conflitos interiores, transferiu-os para fora de si, dando início a Segunda Guerra Mundial.
A maioria das propostas de paz não lograram êxito justamente porque foram impostas por leis, acordos e tratados que quase nunca alcançam o âmago do ser. O Tratado de Versalhes, decidido em gabinete e depois imposto à Alemanha, pondo um fim na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), é considerado pela maioria dos historiadores como sendo uma das principais causas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Infelizmente, a paz imposta à força, de maneira arbitrária, sem buscar uma solução equilibrada e viável para todos os litigantes, tem a duração de um castelo de areia feito na praia que, mais dia menos dia, é destruído pelas ondas do mar.
A paz verdadeira não pode ser dotada da fragilidade vigente nos acordos e tratados políticos que quase sempre escondem interesses na maioria das vezes escusos.
É necessário buscar uma paz que satisfaça de forma plena a ânsia do ser humano por uma vida pacífica sobre a Terra.
Será possível uma paz como essa? Há que se pensar...
De qualquer modo, para que haja paz no mundo, a paz verdadeira, aquela com que todos sonhamos, é indispensável que haja paz dentro de cada um de nós.

1KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 3. ed. (bolso) Brasília, DF: FEB, 1997. Questão 742, p.351.

terça-feira, 18 de maio de 2010

ORE E TENHA FÉ!


Não desanimes, ore, tenha fé!
Mesmo quando tudo der errado
Parecendo que o mundo vai desabar,
Lembra que Jesus está ao teu lado
Sempre pronto a te ajudar.

Não desanimes, ore, tenha fé!
Com o Cristo, sentir-te-ás amparado,
Terás força para tudo superar,
Deixando pra trás o triste passado
A fim de uma nova vida começar.

domingo, 16 de maio de 2010

EVIDÊNCIAS DA IMORTALIDADE DA ALMA


O Espiritismo, como as demais doutrinas espiritualistas, apóia-se por completo sobre a existência da alma e da sua imortalidade. O seu diferencial, contudo, é a apresentação de evidências sólidas à respeito deste e outros postulados.
Neste pequeno artigo, pretende-se elencar algumas dessas evidências, conferindo solidez à crença que nos irmana.
1 – Evidências históricas.
Não se tem notícias de povo algum desprovido da crença de que há em nós algo mais do que a matéria e de que este algo mais sobreviva ao corpo.
Segundo a maioria dos especialistas, o fato de os homens de Neanderthal, que teriam vivido no norte a Europa há mais de 100.000 anos, sepultarem os seus mortos, seria indicativo da crença na continuidade da vida após a morte.
As primeiras grandes civilizações, sobretudo a egípcia, erigiram-se em torno do princípio da imortalidade. No caso do Egito Antigo, as múmias e as pirâmides são o atestado vivo deste princípio. O Livro dos Mortos, que é uma coleção de hinos, rituais, orações, mitos, etc., está repleto de referências à sobrevivência do ser.
Ocorre o mesmo com relação às civilizações contemporâneas à egípcia. Os sumérios, babilônios, acadianos, assírios, fenícios, hebreus, indianos, tinham no centro de suas respectivas religiões, de forma mais ou menos elaborada, a crença na sobrevivência do ser após morte.
Em todos os livros sagrados encontram-se referências explícitas à imortalidade. Além do Livro dos Mortos, a Bíblia, os Vedas, os Upanishads, o Bhagavad-gita, o Tao te Ching, o I Ching, para citar apenas alguns dos mais conhecidos, apresentam abundantes informações quanto à alma e à sua sobrevivência.
Pensadores de todos os tempos e lugares, igualmente, pronunciaram-se favoravelmente à imortalidade. Sócrates, por exemplo, que é considerado um dos pais da filosofia, tomou a cicuta, que lhe fora imposta como pena-de-morte, sem medo ou qualquer receio, porque estava convicto da continuidade da vida após a morte, impressionando os seus discípulos pela sua serenidade na iminência da morte. Outro exemplo, mais próximo de nós no tempo, é o do pesquisador J. B. Rhine, pai da parapsicologia, que conclui que a nossa mente não é física e que, provavelmente, na sua concepção, sobrevive depois da morte do corpo.
Assim, desde à Pré-História até a atualidade, a crença na existência da alma e da sua imortalidade fez e faz parte do arcabouço cultural dos povos mais diversos, adquirindo um status de universalidade, o que, por si só, já é uma evidência poderosa quanto a realidade desta crença, pois como explicar que culturas tão díspares como a asteca e a inca, a egípcia e a dravdiana, a grega e a chinesa, tenham, independentemente uma da outra, sustentando crenças tão semelhantes? Há que se pensar...
2 – Evidências antropológicas e etnológicas.
A antropologia e a etnologia são ciências que surgiram e se afirmaram no século XIX, mas cujas raízes se estendem até o momento em que os europeus passam a confrontar e a reconhecer a diversidade cultural existente no mundo.
Isso ocorreu a partir dos séculos XV e XVI, com a expansão marítima européia, quando o europeu tomava conhecimento das verdadeiras dimensões planetárias, descobrindo não só novas terras mas também povos e culturas que nem sequer imaginou que existissem.
O que é digno de nota é que em todos os relatos sobre os novos povos e suas respectivas culturas, feitos por viajantes, missionários, exploradores, entre tantos outros, era constante a menção à crença na realidade da alma e da sua sobrevivência após a morte. Um exemplo bastante conhecido é o de Hans Staden, europeu que foi aprisionado pelos tupinambás no Brasil Quinhentista, convivendo diretamente com eles durante largo período. No relato que faz das suas experiências junto àquela nação indígena, Hans Staden não deixa de mencionar a crença que possuíam na imortalidade bem como na comunicação com os mortos, que era intermediada pelo pajé.
Antropólogos e etnólogos, ao estudar culturas distintas a partir do século XIX, fizeram contatações análogas às dos cronistas dos séculos anteriores: todas as culturas observadas e analisadas estavam fortemente centralizadas em sua religiosidade tendo como pedra fundamental a crença na imortalidade da alma.
As pesquisas levadas à cabo por eminentes antropólogos e etnólogos corroboram as numerosas evidências históricas quanto a existência e sobrevivência da alma.
Em todos os tempos, em todos os lugares, em todas as culturas, a crença na imortalidade e as suas implicações diretas ou indiretas, constituiu o núcleo principal das coletividades mais diversas, em torno do qual giravam o seu imaginário e todo o seu modo de viver.
3 – EQM: Experiências de Quase Morte.
Em 1975, o Dr. Raymond A. Moody Jr. publicou uma obra notável, que teve uma ampla repercussão: Vida depois da Vida. Esta obra colocava em destaque um fenômeno que não era muito conhecido, as experiências de quase morte.
O Dr. Moody Jr. coletou, durante vários anos, relatos de pessoas que teriam passado pela experiência da “morte”, geralmente em decorrência de acidentes, choques violentos, derrames, etc. e que, em seguida, voltaram à “vida”. Ao examinar o conjunto dos relatos, o Dr. Moody Jr. constatou que havia entre eles inúmeras semelhanças. De uma forma geral, as pessoas contavam que durante os instantes em que estiveram “mortas”, viram-se fora do corpo físico, tiveram contato com seres de luz, viram-se transportadas para outras dimensões, acompanharam o que os seus entes queridos estavam fazendo a distância, e por aí vai...
A obra teve um forte impacto sobre a opinião pública e fez com que novos relatos viessem à tona, chamando a atenção para o fenômeno e estimulando a realização de novas pesquisas.
As experiências de quase morte, por si mesmas, evidenciam a continuidade da vida após a morte, convidando-nos à reflexão. Mais de oitenta por cento das pessoas que passaram por essa experiência, por terem travado contato direto com a realidade espiritual, sofreram profunda transformação consciencial, alterando significativamente para melhor o seu comportamento, adotando hábitos mais saudáveis e buscando intensamente a própria espiritualização.
4 – VLM: Visões em Leito de Morte.
É notório que muitas pessoas, quando a morte se aproxima, relatam que estão vendo e conversando com algum parente ou amigo que já morreu. Cada um, por certo, conhece algum ou vários casos nesse sentido.
Quem já não ouviu falar, por exemplo, na história de uma esposa, envelhecida pela passagem do tempo, que enxerga, no seu leito de morte, o marido, que já estava morto há vários anos?! Esse tipo de relato é bastante corriqueiro e o seu número é expressivo.
As descrições precisas e os diálogos lúcidos e conexos que entretêm com o morto ou os mortos, excluem completamente a hipótese de delírio.
Essas experiências constituem fortes indícios de que a pessoa que está entre a vida e a morte, de fato, está se comunicando com o ente querido já morto que, provavelmente, encontra-se ali para ajudá-lo a desligar a sua alma do corpo físico.
A multiplicidade dos relatos e a semelhança que guardam entre si, bem como a poderosa carga emocional que os acompanha, dão notícia não só da imortalidade, mas também da manutenção dos elos afetivos entre aquele que está vivo e aquele que está morto e, ainda, da possibilidade de comunicação ente ambos.
5 – Comunicações Mediúnicas.
A maior evidência quanto a sobrevivência do ser após a morte, contudo, procede das experiências e comunicações mediúnicas.
Não se pode questionar a existência de pessoas dotadas de certas faculdades que lhes permitem entrar em contato com os mortos. À rigor, a mediunidade é uma faculdade comum a todo o ser humano. Todos, portanto, somos médiuns. Quem nunca sonhou com uma pessoa já morta, não teve a sensação nítida de estar sendo observado, não obstante achar-se sozinho em determinado ambiente, não teve uma premonição, etc. Esses eventos, que na maioria das vezes passam desapercebidos, fazem parte do nosso quotidiano, variando apenas em grau, gênero e intensidade.
Algumas pessoas, entretanto, possuem esta faculdade mais acentuada, permitindo-lhes travar um contato mais estreito com o Mundo Espiritual. São os médiuns propriamente ditos. Vêem e ouvem os Espíritos, comunicando-se com eles através dos mais diversos modos.
Como explicar que uma mãe, cujo filho morreu há pouco tempo, vá procurar um médium que nunca tenha visto antes e obtenha uma comunicação rica em detalhes, com informações que o médium jamais teria acesso? Um mãe não é capaz de reconhecer um filho, mesmo ele estando morto?
As experiências mediúnicas, do nosso ponto de vista, estão suficientemente documentadas, não restando mais qualquer dúvida quanto a continuidade da vida após a morte e o intercâmbio com os vivos.

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