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"Eu sou o Colombo da minha alma e diariamente descubro nela novas regiões." | Gibran Khalil Gibran.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A PAZ EM NÓS



Do início dos tempos até os dias que correm, a humanidade consumiu-se em guerras fratricidas que espalharam o caos e a desolação.
O século XX presenciou as duas maiores guerras de toda a História, sem mencionar os inúmeros conflitos de natureza política, econômica e religiosa que dizimaram milhares de vidas.
Mesmo o mundo estando num estado de guerra permanente, sempre houve pessoas engajadas na busca de uma solução pacífica para os problemas desencadeadores dos conflitos beligerantes.
Estas pessoas, animadas pelos mais elevados e nobres ideais, propuseram e lutaram pela paz, porque traziam a paz dentro de si mesmas.
A condição do mundo não mudou muito nas últimas décadas. Existem, na atualidade, dezenas e dezenas de conflitos distribuídos em todas as partes do mundo, revelando a incapacidade do homem de viver em harmonia com os seus semelhantes e a predominância de interesses particulares, que não têm levado em conta o bem comum.
Allan Kardec, preocupado com o problema da paz, interrogou os Espíritos Superiores sobre as causas da guerra, ao que eles responderam: “Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das paixões. No estado de barbaria, os povos um só direito conhecem – o do mais forte. Por isso é que, para tais povos, o de guerra é um estado normal. À medida que o homem progride, menos frequente se torna a guerra, porque ele lhe evita as causas, fazendo-a com humanidade, quando a sente necessária1.”
Para os Espíritos Superiores, portanto, a animalidade e as paixões, que caracterizam o homem de ontem como o de hoje, respondem pela ocorrência dos dramas bélicos. Tivesse já superado os atavismos ancestrais do seu ser e voltado sua atenção para as coisas espirituais, a paz não seria ainda uma utopia e sim uma realidade concreta na vida de cada homem.
As guerras sucessivas, pode-se afirmar, nada mais são do que pálido reflexo das guerras que o indivíduo trava em seu mundo interior. Adolf Hitler, cheio de problemas e conflitos interiores, transferiu-os para fora de si, dando início a Segunda Guerra Mundial.
A maioria das propostas de paz não lograram êxito justamente porque foram impostas por leis, acordos e tratados que quase nunca alcançam o âmago do ser. O Tratado de Versalhes, decidido em gabinete e depois imposto à Alemanha, pondo um fim na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), é considerado pela maioria dos historiadores como sendo uma das principais causas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Infelizmente, a paz imposta à força, de maneira arbitrária, sem buscar uma solução equilibrada e viável para todos os litigantes, tem a duração de um castelo de areia feito na praia que, mais dia menos dia, é destruído pelas ondas do mar.
A paz verdadeira não pode ser dotada da fragilidade vigente nos acordos e tratados políticos que quase sempre escondem interesses na maioria das vezes escusos.
É necessário buscar uma paz que satisfaça de forma plena a ânsia do ser humano por uma vida pacífica sobre a Terra.
Será possível uma paz como essa? Há que se pensar...
De qualquer modo, para que haja paz no mundo, a paz verdadeira, aquela com que todos sonhamos, é indispensável que haja paz dentro de cada um de nós.

1KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 3. ed. (bolso) Brasília, DF: FEB, 1997. Questão 742, p.351.

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