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sexta-feira, 16 de julho de 2010

ALLAN KARDEC E O ESPIRITISMO




O texto abaixo constitui a íntegra do primeiro capítulo do livro A Espiritualidade em Quadras, de minha autoria, que reúne algumas reflexões e pequenas poesias:

Muitos não sabem, mas o nome Allan Kardec é na verdade um pseudônimo, adotado pelo intelectual e educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, com o objetivo de distinguir as suas produções literárias de caráter pedagógico das espíritas.
Nasceu na cidade de Lion, na França, em 3 de outubro de 1804, no mesmo ano em que Napoleão Bonaparte coroava-se imperador, sendo filho de Jeanne Louise Duhamel e Jean-Baptiste Antoine Rivail.
Recebendo esmerada educação no ambiente doméstico, com dez anos de idade foi enviado para a Yverdon, na Suíça, onde estudou na célebre escola fundada e dirigida por Johan Heinrich Pestalozzi. Ali, adquiriu e consolidou a sua ilustração, ampliando os seus conhecimentos e aprendendo outros idiomas.
Tornou-se professor e regressou à França, estabelecendo-se em Paris. Desenvolveu uma brilhante carreira no magistério e escreveu inúmeros livros embasados na metodologia pestalozziana.
Casou com Amélie-Gabrielle Boudet, escritora e professora como ele, com a qual passou a dividir os seus sonhos e expectativas.
Dedicou toda a sua vida para a educação, dominando grande parte do conhecimento do seu tempo. Traduziu algumas obras do francês para o alemão e ensinava, além da gramática francesa, matemática, física, química, astronomia, anatomia e fisiologia.
Foi no ano de 1854 que, através de um amigo, ouviu falar pela primeira vez nos fenômenos espíritas. Guardando uma posição de dúvida, num primeiro momento, pôde confirmar a autenticidade dos mesmos quando observou pessoalmente a sua ocorrência na casa da Sra. Plainemaison, onde se realizavam sessões das quais ele se tornou assíduo frequentador.
Desde então, H. L. D. Rivail passou a estudar com interesse e afinco os fenômenos espíritas, aplicando-lhes o método científico. Foi na casa da Sra. Plainemaison que conheceu o Sr. Baudin, que lhe fez o convite para assistir as sessões que realizava em sua própria residência, onde as médiuns eram suas duas filhas adolescentes, uma com 12 anos e outra com 16 anos de idade.
Junto ao Sr. Baudin e sua família, H. L. D. Rivail travou um contato mais estreito com o mundo espiritual, dando um cunho de maior seriedade às sessões ali realizadas. As duas meninas colocavam as mãos, ao mesmo tempo, sobre uma prancheta que tinha um lápis afixado em uma de suas extremidades. Sob a influência dos seres espirituais, a prancheta se movia, traçando sobre o papel uma escrita clara e legível, que variava de acordo com o Espírito que se comunicava.
H. L. D. Rivail interrogava os Espíritos e, através das meninas e da prancheta, obtinha respostas cujo conteúdo, muitas vezes, apresentava informações e conhecimentos que não eram sabidos por nenhum dos presentes. Numa dessas sessões, recebeu a revelação de uma de suas vidas anteriores, na qual teria sido um sacerdote druida chamado Allan Kardec, que viveu no primeiro século antes de Cristo, na região da Gália, na mesma época em que esta fora invadida por Júlio César.
Do diálogo que manteve com os Espíritos na casa do Sr. Baudin, nasceu O Livro dos Espíritos, publicado em 18 de abril de 1857, que H. L. D. Rivail assinou como Allan Kardec, para diferenciá-lo, como já afirmado acima, das suas publicações anteriores. Com este livro surgia o Espiritismo ou Doutrina Espírita, que pode ser definido como “(...) uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.” (1)
Codificado por Allan Kardec a partir das comunica-ções dos Espíritos, o Espiritismo tem como aspectos fundamentais: Deus, a existência, preexistência e sobrevivência da alma, a comunicação com os impropriamente chamados de mortos, a reencarnação, a pluralidade dos mundos habitados e os ensinos morais de Jesus.
Esclarecendo o problema do ser, do destino e da dor, o Espiritismo nos oferece um conjunto de diretrizes que servem de guia para as nossas vivências, favorecendo a compreensão de tudo o que nos ocorre e nos estimulando ao melhoramento contínuo.
Ninguém deve cometer o erro de julgar o Espiritismo sem antes conhecê-lo e como se trata de uma doutrina de simples compreensão, ao mesmo tempo que de acentuada complexidade, esse conhecimento exige um certo tempo para ser adquirido. Para tanto, o ideal é fazer a leitura das obras O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e a Gênese, todas de Allan Kardec. Somente lendo e estudando estas obras é que se compreende de fato o que é o Espiritismo bem como qual é a sua revolucionária proposta para a transformação do homem e da Humanidade.
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(1) KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006. p.55.

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