Pensamento...

"Eu sou o Colombo da minha alma e diariamente descubro nela novas regiões." | Gibran Khalil Gibran.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

UM DESPERTAR ESPIRITUAL

Danilo estava no hospital,
Tinha 63 anos,
Era novo, cheio de planos...
Arrogante, se achava o tal.

O câncer estava espalhado
Por todo o sistema linfático
Tornando-o fraco e apático,
Cada vez mais prostrado.

Nunca se preocupou em saber
À respeito das coisas da alma,
Só queria vida boa e calma:
Mulheres, bebidas, festas, prazer...

Não constituiu uma família
Com esposa, filhos e netos.
Vivia só, carente de afetos.
Era infeliz, mas não sabia!

Em ritmo acelerado, frenesi,,
Queria apenas o próprio bem,
Não se interessava por ninguém,
Egoísta, só pensava em si!

Mas a vida passou depressa
E ele, no leito hospitalar,
Encontrou tempo para meditar,
Chegando até a fazer promessa...

Disse a Deus que se fosse curado
Mudaria por completo a sua vida,
Faria o bem de forma repetida
A quem estivesse do seu lado.

Comprometia-se em orar mais,
Buscando as diretrizes do Céu
Para não caminhar mais ao léu,
Ignorante das coisas espirituais!

No entanto, chegara a hora
Do instante derradeiro,
Triste fim de um aventureiro
Que jogou a vida fora...

Danilo despertou
Após longa perturbação
Num lugar de desolação
Que para si mesmo buscou.

A morte estabelece
Com matemática precisão
A exata e justa posição
Que cada qual merece.

Bons e maus, do Outro Lado,
Sofrem em si a consequência
Da maldade ou da benevolência
De cada ato praticado.

Danilo vacilara...
Estava desesperado,
Triste e envergonhado
Da vida que levara.

“Ah, se eu soubesse...”
Ruminava, arrependido,
Entre lamentos e gemidos
Improvisando uma prece:

“Oh, Senhor! Tende piedade
Dos erros que cometi,
Da vida que vivi,
Ignorante da Verdade...

Tira-me deste antro
De sombra e perdição,
De angústia e inquietação,
De medo e de pranto!”

Deus, em sua bondade infinita,
Sempre escuta aquele que ora
Enviando socorro sem demora
Para a alma frágil e aflita.

Então, uma luz rasgou a treva
E Danilo ficou espantado
Ao reconhecer ao seu lado
A presença da mãe, D. Eva.

Num reencontro comovente
Filho e mãe se abraçaram
E de mãos dadas abandonaram
Aquele abismo deprimente...

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