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quinta-feira, 6 de janeiro de 2022
ESPIRITISMO: AVISO, CHEGADA E ENTENDIMENTO | PALESTRA
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terça-feira, 21 de julho de 2020
A CAMINHO DA LUZ | PALESTRA
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terça-feira, 12 de março de 2013
ESPIRITISMO - PASSADO, PRESENTE E FUTURO (PPS DE UMA PALESTRA)
segunda-feira, 23 de abril de 2012
PALESTRA SOBRE O ESPIRITISMO
Segue abaixo o link para a palestra que realizei no Centro Espírita Fé, Luz e Caridade de Novo Hamburgo / RS em 18/04/2012.
ESPIRITISMO - Centro Espírita Fé, Luz e Caridade - NH / RS
ESPIRITISMO - Centro Espírita Fé, Luz e Caridade - NH / RS
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
AS LINHAS BÁSICAS DO ESPIRITISMO - SLIDES
sexta-feira, 1 de abril de 2011
DARWIN, WALLACE E KARDEC (SLIDES DA PALESTRA)
Darwin, Wallace e Kardec
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sexta-feira, 16 de julho de 2010
ALLAN KARDEC E O ESPIRITISMO
O texto abaixo constitui a íntegra do primeiro capítulo do livro A Espiritualidade em Quadras, de minha autoria, que reúne algumas reflexões e pequenas poesias:
Muitos não sabem, mas o nome Allan Kardec é na verdade um pseudônimo, adotado pelo intelectual e educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, com o objetivo de distinguir as suas produções literárias de caráter pedagógico das espíritas. Nasceu na cidade de Lion, na França, em 3 de outubro de 1804, no mesmo ano em que Napoleão Bonaparte coroava-se imperador, sendo filho de Jeanne Louise Duhamel e Jean-Baptiste Antoine Rivail.
Recebendo esmerada educação no ambiente doméstico, com dez anos de idade foi enviado para a Yverdon, na Suíça, onde estudou na célebre escola fundada e dirigida por Johan Heinrich Pestalozzi. Ali, adquiriu e consolidou a sua ilustração, ampliando os seus conhecimentos e aprendendo outros idiomas.
Tornou-se professor e regressou à França, estabelecendo-se em Paris. Desenvolveu uma brilhante carreira no magistério e escreveu inúmeros livros embasados na metodologia pestalozziana.
Casou com Amélie-Gabrielle Boudet, escritora e professora como ele, com a qual passou a dividir os seus sonhos e expectativas.
Dedicou toda a sua vida para a educação, dominando grande parte do conhecimento do seu tempo. Traduziu algumas obras do francês para o alemão e ensinava, além da gramática francesa, matemática, física, química, astronomia, anatomia e fisiologia.
Foi no ano de 1854 que, através de um amigo, ouviu falar pela primeira vez nos fenômenos espíritas. Guardando uma posição de dúvida, num primeiro momento, pôde confirmar a autenticidade dos mesmos quando observou pessoalmente a sua ocorrência na casa da Sra. Plainemaison, onde se realizavam sessões das quais ele se tornou assíduo frequentador.
Desde então, H. L. D. Rivail passou a estudar com interesse e afinco os fenômenos espíritas, aplicando-lhes o método científico. Foi na casa da Sra. Plainemaison que conheceu o Sr. Baudin, que lhe fez o convite para assistir as sessões que realizava em sua própria residência, onde as médiuns eram suas duas filhas adolescentes, uma com 12 anos e outra com 16 anos de idade.
Junto ao Sr. Baudin e sua família, H. L. D. Rivail travou um contato mais estreito com o mundo espiritual, dando um cunho de maior seriedade às sessões ali realizadas. As duas meninas colocavam as mãos, ao mesmo tempo, sobre uma prancheta que tinha um lápis afixado em uma de suas extremidades. Sob a influência dos seres espirituais, a prancheta se movia, traçando sobre o papel uma escrita clara e legível, que variava de acordo com o Espírito que se comunicava.
H. L. D. Rivail interrogava os Espíritos e, através das meninas e da prancheta, obtinha respostas cujo conteúdo, muitas vezes, apresentava informações e conhecimentos que não eram sabidos por nenhum dos presentes. Numa dessas sessões, recebeu a revelação de uma de suas vidas anteriores, na qual teria sido um sacerdote druida chamado Allan Kardec, que viveu no primeiro século antes de Cristo, na região da Gália, na mesma época em que esta fora invadida por Júlio César.
Do diálogo que manteve com os Espíritos na casa do Sr. Baudin, nasceu O Livro dos Espíritos, publicado em 18 de abril de 1857, que H. L. D. Rivail assinou como Allan Kardec, para diferenciá-lo, como já afirmado acima, das suas publicações anteriores. Com este livro surgia o Espiritismo ou Doutrina Espírita, que pode ser definido como “(...) uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.” (1)
Codificado por Allan Kardec a partir das comunica-ções dos Espíritos, o Espiritismo tem como aspectos fundamentais: Deus, a existência, preexistência e sobrevivência da alma, a comunicação com os impropriamente chamados de mortos, a reencarnação, a pluralidade dos mundos habitados e os ensinos morais de Jesus.
Esclarecendo o problema do ser, do destino e da dor, o Espiritismo nos oferece um conjunto de diretrizes que servem de guia para as nossas vivências, favorecendo a compreensão de tudo o que nos ocorre e nos estimulando ao melhoramento contínuo.
Ninguém deve cometer o erro de julgar o Espiritismo sem antes conhecê-lo e como se trata de uma doutrina de simples compreensão, ao mesmo tempo que de acentuada complexidade, esse conhecimento exige um certo tempo para ser adquirido. Para tanto, o ideal é fazer a leitura das obras O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e a Gênese, todas de Allan Kardec. Somente lendo e estudando estas obras é que se compreende de fato o que é o Espiritismo bem como qual é a sua revolucionária proposta para a transformação do homem e da Humanidade.
______________________________(1) KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006. p.55.
domingo, 23 de maio de 2010
FASES FORMATIVAS DO ESPIRITISMO
No dia 25 de abril de 1960, o médium Francisco Cândido Xavier, em uma reunião pública da Comunhão Espírita Cristã, localizada na cidade de Uberaba, em Minas Gerais, ante os olhares atentos de dezenas de pessoas, psicografa uma mensagem muito interessante, que vinha assinada pelo seu mentor espiritual, Emmanuel.
De um modo simples e ao mesmo tempo profundo, a mensagem apresenta, em linhas gerais, o processo de formação do Espiritismo, desde as primeiras manifestações mediúnicas, que se renovaram na transição da Idade Moderna para a Idade Contemporânea, porquanto as mesmas são verificáveis em todos os tempos e lugares, até o trabalho meticuloso de Allan Kardec que, a partir da observação e da análise destas manifestações, elaborou um sistema doutrinário extremamente complexo que oferece ao ser humano uma visão surpreendente da sua origem, natureza e destinação.
Emmanuel, afirmando que a intervenção espiritual sobre o mundo obedece a uma planejamento bem definido, divide o processo formativo do Espiritismo em três fases principais, expressas no título que deu a sua mensagem: Aviso, chegada e entendimento. Faremos, a seguir, um breve exame de cada uma dessas fases, destacando as características mais importantes.
Primeira Fase – Aviso.
Do surgimento do homem sobre a Terra aos dias atuais, as manifestações mediúnicas ocorreram de forma incessante, em todas as épocas da História, desempenhando um relevante papel no desenvolvimento humano, que ainda não foi compreendido perfeitamente.
A fase que Emmanuel denominou de Aviso, entretanto, estende-se de 1744 até 1844, marcos temporais que correspondem ao ponto culminante da vida de dois homens: Emmanuel Swedenborg e Andrew Jackson Davis, respectivamente. Ambos são apontados como precursores imediatos do Espiritismo. Um e outro são os portadores do aviso quanto a realidade espiritual.
Swedenborg, nascido na Suécia, no século XVIII, foi um grande intelectual, dominando diversas áreas do conhecimento humano, como a engenharia e a teologia. De um momento para outro, desenvolveu poderosas faculdades que lhe colocaram em relação com o mundo espiritual. Passou a enxergar inúmeras entidades espirituais, que se hierarquizavam em graus distintos de virtude e saber, através das quais tomou conhecimento sobre as múltiplas realidades que aguardam o homem após a sua morte.
Pela posição importante desfrutada no cenário político da sociedade de então, ao invés de sofrer algum tipo de perseguição, como ocorrera com outras pessoas dotadas das mesmas faculdades, que chegaram a ser torturadas e mortas, Swedenborg continuou gozando de grande reputação nos meios esclarecidos, chamando a atenção para as suas faculdades e para as esferas invisíveis que nos cercam.
Mas no século XVIII, em quase todo o continente europeu, ainda predominava o absolutismo monárquico e, em alguns países como a França, persistia a divisão da sociedade em estamentos (primeiro, segundo e terceiro estado), herança dos tempos medievais, somando milhões de pessoas que seguiam entre a miséria e o analfabetismo. Nesse contexto, as revelações de Swedenborg não atingiram as massas, ficando circunscritas a um pequeno número de seguidores, no aguardo dos tempos vindouros, em que pudessem ser melhor compreendidas.
Davis, por sua vez, nasceu nos Estados Unidos, no século XIX, mais precisamente em 1826, e, diferentemente de Swedenborg, a sua formação intelectual não foi muito além da alfabetização. Entretanto, desde a infância, sua vida foi assinalada por eventos insólitos, denunciando a intervenção de forças ocultas, como a audição de vozes que lhe davam toda a sorte de conselhos e a visão tanto de seres que eram invisíveis para as demais pessoas, como de acontecimentos que estavam ocorrendo há muitos quilômetros de distância.
Em 1844, Davis tem as experiências mediúnicas mais intensas de toda a sua vida, passando a visualizar, como Swedenborg também o fizera, as múltiplas faixas da realidade espiritual. As suas experiências e as descrições que fez das mesmas tiveram ampla repercussão, chamando a atenção de um grande número de pessoas.
O período compreendido entre 1744 e 1844, coincidindo com as experiências anímicas e mediúnicas vivenciadas por Swedenborg e por Davis, representa o aviso de que a realidade não se restringe ao corpo físico, ao mundo material, preparando o caminho para uma compreensão mais ampla da existência humana, dos seus objetivos e finalidades.
Segunda Fase – Chegada.
O final da década de 40 e o início da década de 50 do século XIX compõem a segunda fase da classificação de Emmanuel, chamada por ele de Chegada. Nesta época, as manifestações mediúnicas se multiplicaram na América e na Europa, numa proporção extraordinária, despertando o interesse geral para o inquietante problema da sobrevivência após a morte, suscitado pelas comunicações daqueles que eram impropriamente tidos por mortos.
O ano de 1848 é considerado o marco inicial dessa fase. É em Hydesville, um pequeno vilarejo do Estado de Nova York, na casa da Família Fox, que acontece a chegada. O Sr. e a Sra. Fox eram fazendeiros e muito religiosos, seguindo uma corrente do Protestantismo. Tinham vários filhos, mas apenas duas meninas ainda moravam com eles, Kate de onze anos e Margaret de catorze. O casal e as filhas levavam uma vida pacata e normal quando estranhos fenômenos passaram a perturbar a ordem doméstica. Pancadas repetidas e sons estranhos, que não se sabia de onde vinham, tornaram-se frequentes, modificando a rotina da família. A situação acabou tornando-se insustentável. Vizinhos acorreram para tentar decifrar o mistério de tais acontecimentos, mas sem sucesso. Pastores foram chamados para explicar a causa das batidas, mas também não obtiveram êxito. Na noite de 31 de março de 1848, diante da intensidade das pancadas, a filha mais nova, Kate Fox, desafiou a força invisível que ali atuava a repetir as batidas que ela dava com os dedos. O pedido de Kate foi atendido, evidenciando uma inteligência atrás daquelas batidas, que era capaz de compreender e se comunicar.
A partir do desafio proposto por Kate, teve início um processo de comunicação rudimentar com aquela força invisível, através das pancadas. Logo se convencionou que uma pancada seria “sim” e duas seria “não” e, em seguida, surgiu a idéia de atrelar o número de pancadas ao número de ordem ocupado por uma determinada letra no alfabeto, o que permitiu a obtenção de respostas mais amplas. Aquela força invisível revelou ser um Espírito, declinou o seu nome, Charles Rosna, esclarecendo que havia sido um mascate, um vendedor ambulante. Ele fora cobrar a dívida de uma compra realizada pelos antigos moradores da casa onde agora os Fox residiam. O casal o acolheu com hospitalidade, mas como não tinham dinheiro para quitar o débito, resolveram assassinar o mascate e enterrar o seu corpo no porão da casa. E foi o que fizeram. O Espírito encontrava-se inconformado pela injustiça que sofrera...
A notícia do que havia ocorrido na casa da Família Fox espalhou-se tão rápido quanto o vento, atraindo uma multidão de curiosos que vinham ver com os próprios olhos e participar do diálogo estabelecido com um morto. O que ocorreu na casa dos Fox generalizou-se de tal forma que de todas as partes do mundo vinham informes de acontecimentos semelhantes. Era a chegada da comunicação direta entre os vivos e os mortos.
As comunicações, todavia, não ficaram restritas às pancadas. Houve uma rápida evolução nos meios de comunicação com o mundo dos mortos: as pancadas e os movimentos de objetos diversos logo deram lugar aos fenômenos da escrita e da voz direta, à materialização dos espíritos, a ponto de poderem ser tocados, à clarividência e clariaudiência, bem como aos processos mais eficientes da psicografia e da psicofonia, largamente conhecidos e utilizados na atualidade.
A manifestação dos mortos revelava, entre outras coisas, a existência da alma, a imortalidade e a comunicabilidade com aqueles que se julgava terem partido para sempre. Era toda uma realidade ignorada que vinha à tona.
Terceira fase – Entendimento.
Na França, sobretudo em Paris, a comunicação com os mortos se tornou moda, dando-se principalmente através das chamadas mesas-girantes, que passaram a ser o momento culminante das reuniões e saraus. Transformando-se num dos entretenimentos prediletos das elites parisienses, dificilmente alguém que vivera nessa época não tenha participado, ao menos uma vez, de uma sessão de mesas-girantes.
Foi no ano de 1854, contudo, que um respeitado intelectual e educador, o Sr. Hippolyte Léon Denizard Rivail, ouviu falar pela primeira vez nas tais mesas-girantes, vindo em seguida a presenciar o fenômeno. No que a maioria considerava um mero passatempo, o Sr. Rivail identificou a solução para os problemas da vida e da morte, da dor e do destino, da desigualdade e da injustiça..., solução esta que ele vinha procurando desde a sua infância. Era como se o véu que encobria antigos mistérios se rasgasse por completo diante dele.
O Sr. Rivail tornou-se uma assíduo frequentador de sessões de mesas-girantes, passando a observá-las e a pesquisá-las metodicamente. Participou de sessões com a Sra. Roger e com a Sra. Plainemaison, convencendo-se da autenticidade do fenômeno. Mas foi na casa da Família Baudin, onde duas meninas serviam de medianeiras, que teve a oportunidade de travar um contato direto e constante com os Espíritos. Preparava meticulosamente questões de cunho filosófico, sobre os temas mais diversos, que propunha aos Espíritos. Obtendo, deste modo, um grande número de respostas que ia colecionando e organizando de forma rigorosa. As perguntas e respostas por ele acumuladas assumiram a dimensão de um livro.
Numa das sessões que o Sr. Rivail participou, manifestou-se um dos seus guias espirituais, revelando que ele havia vivido no século I a.C., na Antiga Gália, sendo um sacerdote druida, chamado Allan Kardec. O Sr. Rivail, que possuía já várias publicações no campo pedagógico, resolveu adotar o pseudônimo Allan Kardec para publicar o livro decorrente de suas longas pesquisas e de seu estreito contato com o mundo espiritual. No dia 18 de abril de 1857 aparecia a primeira versão de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, marcando a gênese do Espiritismo.
O Sr. Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec, de 1854, quando teve seu primeiro contato com a fenomenologia mediúnica, até 1869, quando morreu, produziu uma extensa e monumental bibliografia, consolidando um novo sistema de pensamento que oferece ao homem a equação dos seus maiores problemas, lançando luz sobre as antigas preocupações filosóficas: de onde vim?, o que estou fazendo aui?, para onde vou?
O período que vai de 1854 até 1869 é para Emmanuel a fase do Entendimento, na qual Allan Kardec se destaca como o responsável pela codificação de uma nova doutrina, a Doutrina Espírita ou Espiritismo, cuja origem repousa nas comunicações mediúnicas e na sua análise, encerrando em si mesma uma verdadeira síntese do conhecimento humano, até hoje inigualável, que se destina a ampliar a compreensão do homem quanto à sua realidade existencial.
sexta-feira, 5 de março de 2010
ALLAN KARDEC E A REVISTA ESPÍRITA
“A rapidez com que se propagaram, em todas as partes do mundo, os estranhos fenômenos das manifestações espíritas é uma prova evidente do interesse que despertam. A princípio simples objeto de curiosidade, não tardaram a chamar a atenção de homens sérios que neles vislumbraram, desde o início, a influência inevitável que viriam a ter sobre o estado moral da sociedade. As novas idéias que surgem desses fenômenos popularizam-se cada dia mais, e nada lhes pode deter o progresso, pela simples razão de que estão ao alcance de todos, ou de quase todos, e nenhum poder humano lhes impedirá que se manifestem. Se os abafam aqui, reaparecem em cem outros pontos (…)[1].”
Com as considerações acima, Allan Kardec inaugura o primeiro número da Revista Espírita, publicado em janeiro de 1858, destacando a rapidez com que os fenômenos espíritas e o conjunto de idéias deles decorrentes se espalhavam pelo mundo.
Faziam menos de quatro anos que Allan Kardec havia travado os primeiros contatos com a realidade espiritual, através da fenomenologia mediúnica, e menos de um ano que havia lançado O Livro dos Espíritos, quando teve a feliz iniciativa de criar a Revista Espírita.
O ano de 1858, na verdade, é mais que emblemático para a História do Espiritismo, pois além da criação da Revista Espírita, Allan Kardec também assenta as bases da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Tanto uma quanto a outra foram de fundamental importância para o desenvolvimento posterior do pensamento espírita. As comunicações espirituais e as observações e estudos dos fenômenos mediúnicos que se efetuavam no seio daquela sociedade, proporcionaram uma fonte vasta e rica de dados e informações que foram, oportunamente, elaborados e organizados por Allan Kardec, que passou a divulgá-los periodicamente na Revista Espírita.
Na época, como ressalta o próprio Codificador, não havia nenhum periódico semelhante em toda a França, destinado ao estudo e exame da questão espírita. É, pois, com este objetivo que nasce a Revista Espírita, o de colocar “(...) o público a par do progresso desta nova Ciência e o [prevenir] contra os excessos da credulidade, bem como do cepticismo(...)”, ao que Kardec acrescenta que é a “(...) essa lacuna que nos propomos preencher com a publicação desta Revista, visando a oferecer um meio de comunicação a todos quantos se interessam por estas questões, ligando, através de um laço comum, os que compreendem a Doutrina Espírita sob o seu verdadeiro ponto de vista moral: a prática do bem e a caridade evangélica para com todos [2]”.
É forçoso notar em Kardec aqueles olhos de ver aos quais se referia Jesus, porquanto, num fenômeno em que a maioria dos seus contemporâneos via apenas um passatempo, vislumbra a chave para decifrar os mistérios que envolvem a existência humana. Ele identifica, na doutrina que codificou, uma proposta de renovação para a Humanidade, entendendo que a compreensão dos fenômenos espíritas e das suas inúmeras implicações exerce uma influência decisiva sobre o melhoramento individual e coletivo, fomentando a “prática do bem e a caridade evangélica para com todos”.
Em 1868, quando Allan Kardec publica a A Gênese, ele explica, na introdução desta obra, que a Revista Espírita, que completava dez anos de circulação ininterrupta, representava “(...) um terreno de ensaio, destinado a sondar a opinião dos homens e dos Espíritos sobre alguns princípios, antes de os admitir como partes constitutivas da doutrina [3]”. Como o caráter progressivo do Espiritismo está subordinado ao controle universal e coletivo das comunicações feitas pelos Espíritos, devendo passar pelo crivo da racionalidade e da concordância, percebe-se que a Revista Espírita desempenhou um papel substancial nas origens e desdobramentos de toda a obra do Codificador, merecendo, por isso mesmo, ser amplamente conhecida e estudada.
Allan Kardec manteve a Revista Espírita de 1858 até 1869, ano em que desencarnou. O valor e a relevância da Revista Espírita é inestimável, pois constitui um repositório documental da História do Espiritismo.
Quem quer ter uma visão mais profunda sobre o que é o Espiritismo ou Doutrina Espírita, precisa, necessariamente, passear pelas páginas da Revista Espírita. A sua leitura possibilita o entendimento do pensamento de Kardec e do processo de gênese e desenvolvimento da Doutrina Espírita.
Existem três excelentes traduções para a Língua Portuguesa da Revista Espírita, uma da Edicel, outra do IDE e uma mais recente da FEB.
Aproveitamos aqui o ensejo para cumprimentar a Federação Espírita Brasileira pelo gesto nobre e desprendido de disponibilizar em seu site [4] o download completo dos doze volumes da Revista Espírita e mais um excelente índice temático, totalmente gratuitos, colocando a divulgação doutrinária acima de tudo.
_________________________
[1] KARDEC, Allan. Revista Espírita. Primeiro ano – 1858. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2004. p.21.
[2] KARDEC, Allan. Revista Espírita. Primeiro ano – 1858. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2004. p.22.
[3] KARDEC, Allan. A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 38.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1999. p.12.
[4] http://www.febnet.org.br
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