Pensamento...
"Eu sou o Colombo da minha alma e diariamente descubro nela novas regiões." | Gibran Khalil Gibran.
Buscadores espirituais...
Mostrando postagens com marcador Contos.... Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Contos.... Mostrar todas as postagens
domingo, 2 de agosto de 2020
A COMPAIXÃO DE BUDA
Marcadores:
Canal do Youtube,
Contos...,
Espiritualidade Necessária,
Para refletir...,
Vídeos...
sexta-feira, 24 de julho de 2020
OS FILHOS DO REI
Marcadores:
Canal do Youtube,
Contos...,
Espiritualidade Necessária,
Vídeos...
sábado, 18 de julho de 2020
O DIPLOMATA E O FILHO
Marcadores:
Canal do Youtube,
Contos...,
Espiritualidade Necessária,
Para refletir...,
Vídeos...
domingo, 12 de julho de 2020
O MENDIGO E O SOBERANO
Marcadores:
Canal do Youtube,
Contos...,
Espiritualidade Necessária,
Para refletir...,
Vídeos...
quinta-feira, 25 de junho de 2020
EXISTÊNCIA DE DEUS
Marcadores:
Canal do Youtube,
Chico Xavier...,
Contos...,
Espiritualidade Necessária,
Para refletir...,
Vídeos...
segunda-feira, 15 de junho de 2020
SORTE OU AZAR?
Marcadores:
Canal do Youtube,
Contos...,
Espiritualidade Necessária,
Para refletir...,
Vídeos...
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
O HOMEM QUE ESTAVA ACORDADO
“Conta-se a história de um homem santo que irradiava uma
extraordinária aura de alegria e paz interior. Um brilho
sobrenatural, quase celestial, emanava do seu corpo e atraía grandes
multidões que o acompanhavam por toda parte. 'Abençoado', gritavam
para ele, 'o senhor é um Deus?' 'Não', respondia ele. 'É um anjo?'
'Não'. 'É um profeta?' 'Não, só estou acordado'.”
Fonte:
HALBERSTAM, Yitta; LEVENTHAL, Judith. Pequenos Milagres:
coincidências extraordinárias do dia-a-dia. Rio de Janeiro:
Sextante, 1998. 192p. (p.13-14).
Marcadores:
Auto-iluminação...,
Contos...
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
O TEMPLO DOS MIL ESPELHOS
De acordo com uma antiga lenda japonesa, havia num bosque ermo, distante muitos quilômetros do vilarejo mais próximo, um misterioso templo, o Templo dos Mil Espelhos.
Nenhuma pessoa ousava profaná-lo, pois dizia-se que quem o fizesse defrontar-se-ia com estranho perigo. Por isso, ninguém ia até lá.
Um dia, no entanto, dois cachorros foram abandonados no bosque e, completamente desorientados, acabaram encontrando o temido templo.
Sem saber que se tratava de um lugar muito perigoso, um dos cachorros resolveu entrar.
Por fora, a vegetação cobria e ocultava a grandiosidade do templo. Por dentro, porém, quando o cachorro atravessou a imensa porta que dava acesso ao interior, assustou-se. Latiu desesperadamente e abandonou o templo em desespero, recomendando ao outro cachorro que ali não entrasse, que fosse embora e salvasse sua vida. Partiu em disparada para lugar nenhum, maldizendo aquele lugar sinistro.
O outro cachorro, contudo, ficou intrigado e não aguentando mais de curiosidade, resolveu por entrar no templo e enfrentar corajosamente os seus perigos.
Entrou no templo calmo e seguro de si. Assim que atravessou a porta, surpreendeu-se com aquilo que viu.
Diante dele, havia uns mil cachorros, observando-o com um olhar de espanto. Para cada lado que olhava, centenas de cachorros o encaravam ameaçadoramente.
Amedrontado, ele ia começar a latir, mas conteve-se. Ao invés disso, experimentou dar um sorriso. Foi quando o inusitado aconteceu. Ao sorrir, todos os cachorros, ao mesmo tempo, passaram a sorrir também.
O cachorro sentiu-se aliviado e feliz, por ver todos aqueles cachorros sorrindo para ele de forma amistosa.
Foi embora do templo bendizendo-o: que lugar maravilhoso!
Mesmo depois disso, nunca nenhuma pessoa teve coragem de entrar no Templo dos Mil Espelhos, com medo dos perigos que poderiam ter que enfrentar em seu interior.
Nenhuma pessoa ousava profaná-lo, pois dizia-se que quem o fizesse defrontar-se-ia com estranho perigo. Por isso, ninguém ia até lá.
Um dia, no entanto, dois cachorros foram abandonados no bosque e, completamente desorientados, acabaram encontrando o temido templo.
Sem saber que se tratava de um lugar muito perigoso, um dos cachorros resolveu entrar.
Por fora, a vegetação cobria e ocultava a grandiosidade do templo. Por dentro, porém, quando o cachorro atravessou a imensa porta que dava acesso ao interior, assustou-se. Latiu desesperadamente e abandonou o templo em desespero, recomendando ao outro cachorro que ali não entrasse, que fosse embora e salvasse sua vida. Partiu em disparada para lugar nenhum, maldizendo aquele lugar sinistro.
O outro cachorro, contudo, ficou intrigado e não aguentando mais de curiosidade, resolveu por entrar no templo e enfrentar corajosamente os seus perigos.
Entrou no templo calmo e seguro de si. Assim que atravessou a porta, surpreendeu-se com aquilo que viu.
Diante dele, havia uns mil cachorros, observando-o com um olhar de espanto. Para cada lado que olhava, centenas de cachorros o encaravam ameaçadoramente.
Amedrontado, ele ia começar a latir, mas conteve-se. Ao invés disso, experimentou dar um sorriso. Foi quando o inusitado aconteceu. Ao sorrir, todos os cachorros, ao mesmo tempo, passaram a sorrir também.
O cachorro sentiu-se aliviado e feliz, por ver todos aqueles cachorros sorrindo para ele de forma amistosa.
Foi embora do templo bendizendo-o: que lugar maravilhoso!
Mesmo depois disso, nunca nenhuma pessoa teve coragem de entrar no Templo dos Mil Espelhos, com medo dos perigos que poderiam ter que enfrentar em seu interior.
***
Refletindo sobre essa lenda japonesa, podemos destacar dois pontos: o medo que temos de nos autoconhecer e o fato de que o nosso exterior muitas vezes não é mais do que o reflexo do nosso interior.
Quem tem a coragem de entrar no templo de si mesmo, sem temer o que lá poderá ser encontrado? Difícil responder. Todavia, chega um momento na vida, e este momento chega para todos, em que não é mais possível adiar a grande viagem: a viagem para dentro de si mesmo, para o templo interior.
Infelizmente, para muitas pessoas, esse momento só chega com a velhice, porque passaram toda a sua vida terrena sem cogitar sobre a sua realidade mais profunda. E é justamente nesse momento que se intensificam os medos: o medo de saber quem ou o que é de verdade, o medo de não ter vivido bem a existência, o medo com o que sucederá depois da morte...
Algumas pessoas, ainda raras, tem a coragem de entrar no Templo dos Mil Espelhos e enfrentar os seus possíveis perigos, descobrindo o que de fato existe ali dentro.
E quando isso ocorre, verifica-se uma singular transformação na pessoa corajosa, dá-se como um estalo, um repentino despertar.
É como se uma poderosa luz fosse acendida em uma sala escura, expulsando de vez a escuridão.
Tudo parece claro agora.
Tudo faz sentido.
A pessoa então descobre que os acontecimentos que a machucaram ou os que a fizeram felizes são, na maioria das vezes, apenas respostas ao que existe dentro de si e não sabe, como os cachorros que entram no templo e, enquanto um late, o outro sorri para si mesmo.
Viver no mundo a partir de uma perspectiva espiritual demanda conhecimento de si mesmo e atenção aos elementos de ligação entre o mundo de dentro e o mundo de fora.
Mas para tanto, é preciso ter coragem e superar o medo, porque o medo é o maior obstáculo para o autoconhecimento e para uma vida feliz.
Marcadores:
Auto-iluminação...,
Autoconhecimento...,
Autotransformação...,
Contos...
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
SORTE OU AZAR?
Um velho e conhecido conto indiano narra a história de um camponês que tinha apenas três coisas de valor: uma pequena propriedade, um cavalo e um filho que estava no auge da juventude.
Tudo ia bem na vida do humilde campônio quando o seu cavalo desapareceu. Ao invés de desesperar-se, manifestou resignação, amadurecido pelas duras lições da sobrevivência.
No entanto, ao saber do ocorrido, o vizinho mais próximo apareceu e, no lugar de prestar solidariedade, apenas indagou:
- Nossa! Que azar, hein!
Ao que o velho serenamente respondeu:
- Azar? Sorte? Eu não sei... Só o tempo dirá!
Passados três dias, para surpresa de todos, o cavalo apareceu, mas não veio sozinho, trouxe com ele um outro cavalo, mais forte, mais jovem e mais bonito.
O camponês regozijou-se, aceitando o acontecimento com naturalidade.
O vizinho, contudo, quando tomou conhecimento do fato, retornou à pequena propriedade e exclamou, mal escondendo a inveja:
- Nossa! Que sorte, hein! Nunca vi um cavalo tão bonito como esse.
Revelando sabedoria, o camponês novamente afirmou:
- Sorte? Azar? Eu não sei... Só o tempo dirá!
Naquele mesmo instante, contrariando a vontade do pai, o filho montou sobre o novo cavalo, desejando domá-lo.
Foi quando o inusitado se deu. O cavalo saiu em disparada e o filho do camponês não conseguiu controlá-lo, caindo e quebrando a perna em três lugares.
O vizinho, esquecendo o dever de estender a mão e ajudar, apenas sentenciou:
- Nossa! Que azar, hein!!!
O velho camponês manteve-se calmo e disse novamente:
- Azar? Sorte? Eu não sei... Só o tempo dirá! - e foi atender ao filho machucado.
Uma semana depois, os soldados do rei aparecerem no pacato povoado, recrutando todos os jovens para a defesa do reino, em razão de uma invasão iminente.
O filho do camponês, por estar com a perna quebrada foi poupado.
O vizinho, desesperado por ter tido o seu filho levado para o exército do rei, asseverou novamente ao camponês, cheio de despeito:
- Nossa! Que sorte, hein!!! - chorando de modo inconsolável.
Por sua vez, o camponês lhe redarguiu como sempre o fazia:
- Sorte? Azar? Eu não sei... Só o tempo dirá!
Tudo ia bem na vida do humilde campônio quando o seu cavalo desapareceu. Ao invés de desesperar-se, manifestou resignação, amadurecido pelas duras lições da sobrevivência.
No entanto, ao saber do ocorrido, o vizinho mais próximo apareceu e, no lugar de prestar solidariedade, apenas indagou:
- Nossa! Que azar, hein!
Ao que o velho serenamente respondeu:
- Azar? Sorte? Eu não sei... Só o tempo dirá!
Passados três dias, para surpresa de todos, o cavalo apareceu, mas não veio sozinho, trouxe com ele um outro cavalo, mais forte, mais jovem e mais bonito.
O camponês regozijou-se, aceitando o acontecimento com naturalidade.
O vizinho, contudo, quando tomou conhecimento do fato, retornou à pequena propriedade e exclamou, mal escondendo a inveja:
- Nossa! Que sorte, hein! Nunca vi um cavalo tão bonito como esse.
Revelando sabedoria, o camponês novamente afirmou:
- Sorte? Azar? Eu não sei... Só o tempo dirá!
Naquele mesmo instante, contrariando a vontade do pai, o filho montou sobre o novo cavalo, desejando domá-lo.
Foi quando o inusitado se deu. O cavalo saiu em disparada e o filho do camponês não conseguiu controlá-lo, caindo e quebrando a perna em três lugares.
O vizinho, esquecendo o dever de estender a mão e ajudar, apenas sentenciou:
- Nossa! Que azar, hein!!!
O velho camponês manteve-se calmo e disse novamente:
- Azar? Sorte? Eu não sei... Só o tempo dirá! - e foi atender ao filho machucado.
Uma semana depois, os soldados do rei aparecerem no pacato povoado, recrutando todos os jovens para a defesa do reino, em razão de uma invasão iminente.
O filho do camponês, por estar com a perna quebrada foi poupado.
O vizinho, desesperado por ter tido o seu filho levado para o exército do rei, asseverou novamente ao camponês, cheio de despeito:
- Nossa! Que sorte, hein!!! - chorando de modo inconsolável.
Por sua vez, o camponês lhe redarguiu como sempre o fazia:
- Sorte? Azar? Eu não sei... Só o tempo dirá!
***
Dando o que pensar, esse conto indiano não tem um desfecho preciso, podendo ser continuado indefinidamente.
Destaca-se a figura do camponês que, não obstante a sua simplicidade, demostrava grande sabedoria. Ele tinha o tipo de sabedoria que não é encontrado nas informações veiculadas pelos livros, mas que só é adquirida ao longo das duras e das difíceis experiências da vida.
Ante os acontecimentos infelizes, comportou-se com serenidade, não dando guarida ao desespero.
Ante os acontecimentos felizes, não se exaltou, conservando-se o mesmo.
Compreendia que todos os episódios da vida são revestidos de transitoriedade. Tanto as coisas ruins quanto as coisas boas vêm e vão, sem se ter o menor controle sobre elas, cabendo a cada um que as recebe, recolher em si as lições que pretendem deixar.
O bem que se quer, muitas vezes, pode ser um mal, tanto quanto o mal que não se deseja, pode ser na verdade um bem.
Talvez a melhor atitude a ser tomada diante dos enfrentamentos diários seja a do velho camponês: manter-se aberto e atento aos sucessos da existência, sempre numa perspectiva tranquila e serena.
Afinal, não se sabe se é sorte ou se é azar, pois só o tempo o dirá...
Destaca-se a figura do camponês que, não obstante a sua simplicidade, demostrava grande sabedoria. Ele tinha o tipo de sabedoria que não é encontrado nas informações veiculadas pelos livros, mas que só é adquirida ao longo das duras e das difíceis experiências da vida.
Ante os acontecimentos infelizes, comportou-se com serenidade, não dando guarida ao desespero.
Ante os acontecimentos felizes, não se exaltou, conservando-se o mesmo.
Compreendia que todos os episódios da vida são revestidos de transitoriedade. Tanto as coisas ruins quanto as coisas boas vêm e vão, sem se ter o menor controle sobre elas, cabendo a cada um que as recebe, recolher em si as lições que pretendem deixar.
O bem que se quer, muitas vezes, pode ser um mal, tanto quanto o mal que não se deseja, pode ser na verdade um bem.
Talvez a melhor atitude a ser tomada diante dos enfrentamentos diários seja a do velho camponês: manter-se aberto e atento aos sucessos da existência, sempre numa perspectiva tranquila e serena.
Afinal, não se sabe se é sorte ou se é azar, pois só o tempo o dirá...
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
O SÁBIO QUE AMAVA
A multidão se aglomerava
Com interesse e atenção
Para escutar a bela preleção
Do grande sábio que amava.
A sua fala mansa atendia
Aos doutos e aos ignorantes
Que ficavam expectantes
Frente a tanta sabedoria.
O sábio falou, falou e falou...
Repisando antigas verdades,
Que mais pareciam novidades
Da forma como as expressou.
Falou de Deus, o nosso Pai,
Da sua misericórdia e bondade,
Que sempre perdoa a Humanidade
Que frequentemente erra e cai.
Falou da vida do Mais Além,
Do país da imortalidade,
Que reserva a felicidade
Para quem praticou o bem.
Falou sobre a reencarnação,
A necessidade que todos temos
De muitas vezes renascermos
Para melhorar o coração.
Falou da Lei do Amor,
Que interliga as criaturas,
Impulsionando-as às Alturas,
Na direção do Criador.
Falou, também, da esperança
De dias melhores na Terra,
Sem angústia, sem guerra,
Sem sangue, sem matança...
Por fim, falou da ligação
Do Pai com o filho,
Na luz, no brilho
De uma simples oração.
A multidão se maravilhava
Com as oportunas noções
Presentes nas sublimes lições
Do grande sábio que amava!
terça-feira, 20 de julho de 2010
A LIÇÃO DE LICURGO
Segundo os autores clássicos, como Heródoto, Xenofonte e Plutarco, Licurgo teria vivido num período difícil de ser precisado, situado entre os séculos XII e VII a.C. e seria o responsável pela organização social, política e militar dos espartanos.
Licurgo, portanto, seria um homem muito sábio...
Conta-se que ele estava presente na apella, instituição que implementara, constituindo uma espécie de assembleia, quando uma das pessoas que estavam presentes lhe interpelou e pediu que lhes falasse sobre a educação. Licurgo teria pensado um pouco, antes de consentir, pedindo o tempo de um ano para preparar-se. Quem fez o pedido e os demais que ali estavam ficaram surpreendidos com a sua atitude, pois esperavam um comentário breve e esclarecedor sobre a questão formulada. A mente comum dificilmente alcança os vôos da mente sábia.
Passado o tempo requerido, Licurgo apresentou-se no mesmo lugar, voltando a se reunir com os membros da comunidade espartana. Sem falar nada, mostrou duas gaiolas. Numa delas haviam duas lebres e, na outra, dois cachorros. Pediu a atenção de todos, anunciando que faria uma importante demonstração. Soltou uma das lebres e, em seguida, um dos cães. O resultado foi o esperado: o cachorro perseguiu a lebre até pegá-la e estraçalhá-la, num espetáculo agradável aos presentes. Logo depois, soltou a outra lebre e o outro cão. Para a surpresa geral, ao invés da lebre fugir e do cão persegui-la, ambos passaram a brincar, relacionando-se pacificamente.
Licurgo geralmente era lacônico, preferindo falar com exemplos. Todos os que presenciaram a sua demonstração entenderam o que ele queria dizer, mesmo sem ter sido necessário nenhum discurso.
A educação, de fato, faz toda a diferença para o comportamento humano.
sábado, 26 de junho de 2010
A HISTÓRIA DE AMRAPALI
Uma das histórias mais conhecidas na tradição budista é a de Amrapali.
Dotada de uma beleza invulgar, era uma famosa nagarvadhu.
Na época em que vivia, no VI século a.C., era prática comum na Índia que as mulheres mais bonitas, para não serem causa de invejas e de brigas contantes, não casassem apenas com um homem, mas se tornasse esposa da cidade.
Tal condição nada tinha de humilhante, pelo contrário, era sinônimo de prestígio, pois as nagarvadhu eram frequentemente visitadas por reis, príncipes, generais, ricos, poderosos...
Mesmo tendo uma vida regalada de facilidades e de prazeres, Amrapali seguia melancólica e infeliz. Objeto de cobiça e de desejo de tantos e tantos homens, sabia que jamais tinha sido amada de verdade e que, igualmente, jamais tinha amado alguém. Sentia dentro de si uma sensação de vazio que não conseguia descrever, mas que doía muito.
Num certo dia, quando Amrapali repousava na ampla varanda do seu palacete, na cidade de Vaishali, avistou ao longe um homem que fez de imediato o seu coração pulsar diferente. Sem nem mesmo conhecê-lo, ela apaixonou-se por ele. Levantou, apressada, e foi ao seu encontro.
Era um monge budista, que havia há poucos anos iniciado a sua jornada espiritual, mas que possuía uma presença e um comportamento elevados, sendo discípulo do próprio Buda.
Amrapali, com os olhos em chamas, revelando toda a sua volúpia e intenções, fez a seguinte proposta ao monge:
- Em breve começará a estação das chuvas e eu sei que os monges budistas permanecem no mesmo lugar durante ela. Eu lhe convido para ficar em minha casa!
O monge não se perturbou diante da beleza de Amrapali, e respondeu-lhe, imperturbável:
- Vou comunicar o seu convite ao meu mestre, se ele concordar, virei ficar com você.
Amrapali sorriu e passou a fantasiar os seus desejos.
O monge seguiu o seu caminho até o local em que Buda encontrava-se reunido com os demais seguidores.
Na presença de Buda, tocou-lhe os pés em sinal de respeito e de reverência, passando a contar-lhe o que havia acontecido e o pedido que Amrapali havia feito.
Buda, com acuidade e compreensão, olhou nos olhos do discípulo querido, como a vasculhar as profundezas do seu ser e consentiu que o monge fosse passar os quatro meses da estação chuvosa com Amrapali.
O consentimento de Buda causou furor nos mais de dez mil discípulos que estavam ali reunidos. Embora em silêncio, sem coragem para questionar a decisão do mestre, estavam indignados, pois não conseguiam admitir que um monge pudesse ir viver com uma prostituta.
O monge, do mesmo jeito que chegou, saiu, demandando a residência de Amrapali.
O tempo foi passando e todos os dias, os monges que permaneceram na companhia do mestre, não cansavam de fazer fofocas e mexericos, dizendo que ouviram isto e aquilo a cerca do monge que estava com Amrapali.
Buda, então, falou:
- Não sei por que tanto alvoroço e inquietação. Olhei no fundo dos olhos do meu discípulo e não vi desejo neles. Confio nele...
Mas o falatório e o diz-que-diz-que não pararam.
Com o fim da estação chuvosa, o monge retornou à presença do mestre, tocando-lhe os pés como sempre fazia. Logo empós, apareceu Amrapali, envergando as vestes budistas, tocou os pés de Buda e lhe declarou:
- Tentei de todas as formas seduzir o seu monge, pois o meu peito ardia de desejos por ele. Contudo, eu é que fui seduzida por ele e estou aqui para segui-lo.
Buda ficou satisfeito com o desfecho da história e todos os discípulos que tentaram fazer intrigas sentiram-se envergonhados.
Amrapali achou seu caminho seguindo os princípios budistas. Nunca mais foi a mesma. Abandonou a vida devassa que levava e as suas ilusões. Animada por ideais superiores, curou a dor do vazio que sentia dentro de si, encontrando a plenitude.
Amrapali atingiu a iluminação e a sua história vem sendo narrada ao longo dos séculos, como exemplo vivo do poder que cada um de nós tem para transformar a si mesmo e a vida que leva.
terça-feira, 20 de abril de 2010
UM DIA COM O MESTRE - PARTE IV
IV – O Mestre esclarece para onde vamos
A tarde avançava tranquila.
Os raios solares banhavam a todos com uma branda luz dourada.
O ambiente, por si só, já era um convite à elevação e a presença do Mestre transformava as consciências, fazendo cada um acreditar no melhor de si mesmos, do outro, do mundo...
Junto ao Mestre tudo parecia ser possível. A solução para o problema difícil, a coragem para a reconciliação, a força para superar a circunstância infeliz, o perdão irrestrito, o amor incondicional...
Foi nesse clima de estasia que seguiu o Mestre ensinando:
- Ah, meus irmãos! A vida neste plano é tão breve. Por mais longa que seja é sempre breve... É quase incompreensível que vos atormenteis tanto durante um período de tempo que é por demais curto. Quantas canseiras, aflições e angústias desnecessárias! Quantos atritos e desentendimentos por coisas vãs! Muitas vezes um momento de irreflexão tem custado a paz de toda uma existência. Do berço ao túmulo, a vida passa célere, num átimo. De um instante para outro, a morte chega de surpresa, e ela chega depressa, lançando a criatura de chofre em uma nova realidade, como se estivesse diante de um espelho, vendo a si mesma como de fato é, sem ilusões, sem máscaras. Para a maioria, infelizmente, é um episódio doloroso, pois não se preparou como convinha para o mesmo.
Matias, ardoroso seguidor do Mestre, pediu-lhe:
- Mestre! Fala-nos mais sobre as moradas espirituais que nos aguardam depois da morte!
O Mestre, prontamente, pôs-se a falar:
- São infinitas as moradas espirituais e são infinitas também em sua tipologia. Cada ser, ao morrer, abandona o corpo de carne e segue para a morada espiritual que lhe é própria, que possui as mesmas características que carrega consigo mesmo. Tudo é regido por leis invisíveis, estatuídas pela Divindade, para regular todos os acontecimentos. O processo da morte e do despertar em nova realidade não fogem à regra. O ser sempre está, na carne ou fora dela, no lugar certo, nunca há equívocos. Assim, com a chegada da morte, o ser defronta-se com as condições que criou para si mesmo, habitando a morada espiritual que merece.
- Mestre! - tornou Matias, interessado na temática – Observai que nós aqui estamos ouvindo-te, desejosos de esclarecer-mo-nos. Todos estamos aprendendo... Isto influenciará nossa sorte futura, na vida depois da morte?
Respondeu o Mestre, cheio de sabedoria:
- Todo desejo de aprender, de crescer, de evoluir, é bom, mas não garante uma posição venturosa na vida espiritual. Se um aluno tem sede de conhecimento, porém nada lê e nem presta atenção nas palavras de seu professor, possivelmente morrerá daquela sede. O que quero dizer é que não basta o desejo, a intenção, é indispensável a ação, a prática, a vivência. Isto sim influenciará a sorte futura, de forma determinante, reservando ventura ou desventura na vida que segue além da morte. Aquele que tem compaixão apenas para si e nunca para os outros, por exemplo, não precisa esperar compaixão na morada espiritual para onde seguirá. A cada um segundo suas obras. Após a morte, o indivíduo bom gozará os frutos da sua bondade e o indivíduo mal gozará os frutos de sua maldade. Tudo é muito simples de entender...
Tocado pelas informações claras e objetivas, Matias perguntou:
- Mestre! É possível, como asseveram alguns, obter-se notícias dos nossos afetos que a morte arrebatou de modo precoce?
O Mestre, compreendendo a gravidade da pergunta, respondeu:
- É possível não só obter-se notícias sobre eles como também comunicar-se diretamente com eles. Dias virão, num futuro distante, em que as barreiras que separam vivos e mortos serão atenuadas, podendo cada um, por si mesmo, manter o contato afetuoso com aqueles que se foram... Ah, Matias! Entendo bem o porquê de tua pergunta. Tua mãe recentemente abandonou o corpo de carne e, intimamente, desejas saber como ela está. Apascenta, pois, o teu coração. Tua mãe está bem. Acha-se numa morada de paz e freqüentemente lhe tem feito visitas. Vejo-a, neste momento, ao teu lado, segurando tua mão, embora tu conscientemente nada percebas. Ela pede para que eu lhe diga que, na noite anterior, quando tu sonhaste com ela, não foi apenas um sonho, mas um encontro que os vossos espíritos tiveram. Deves seguir os conselhos que ela lhe deu, para que consigas contornar o drama familiar em que estás situado e que não é preciso explicitar.
Matias emocionou-se, sentidas lágrimas lhe molharam a face, fora surpreendido agradavelmente com a notícia da sobrevivência da mãe e do contato estreito que mantinham.
O crepúsculo chegara de forma imperceptível e dominara o ambiente.
O Mestre, então, concluiu o seu dia de pregação e iluminação dizendo:
- Abarcastes hoje, num golpe de vista, a súmula de todos os enigmas da vida. Descobristes o que muitos seguem ignorando. Sabeis agora quem sois, de onde vindes, porque estais aqui e para onde ides! Vos ofereci, através de um diálogo franco, um mapa e vos apontei a direção que deveis tomar. O resto é convosco. Bem-aventurados sois vós que desvendaram o conjunto dos mistérios e que iniciarão uma nova marcha, uma marcha coração adentro, em busca de si mesmos, da simplicidade, do amor, da paz... Que Deus, nosso Pai, possa derramar sobre todos nós que aqui nos reunimos as suas preciosas bênçãos, fazendo com que cada um sinta-se bem e possa seguir amparado até o seu lar.
Assim, através de uma simples prece, o Mestre despediu a multidão que, aos poucos, foi se afastando.
Aquele fora um dia inesquecível.
Os que privaram da presença do Mestre e ouviram as suas lições lúcidas guardavam no íntimo a certeza de que a partir dali suas vidas seriam completamente diferentes.
E elas foram...
sábado, 17 de abril de 2010
UM DIA COM O MESTRE - PARTE III
III – O Mestre esclarece o que estamos fazendo aqui
Na primeira hora da tarde, o Mestre se predispôs a continuar o encontro de esclarecimento.
Elevou o pensamento ao Mais Alto, em sentida prece, exorando as bênçãos divinas para todos.
Logo em seguida, o Mestre passou a ensinar:
- Queridos irmãos, penetrando o ádito das vossas consciências, identifico um sem número de inquietações e angústias. Todos, diariamente, convivem com a presença indesejável da dor, que imiscui-se nos escaninhos da vida. Paira sobre cada um de vós o desejo insopitável de se libertar das dificuldades, por enxergar nelas o entrave à felicidade. Advirto-vos! É uma maneira equivocada de encarar as coisas, pois tudo, desde o grão de areia até a estrela mais brilhante, possui a sua razão de ser. Assim é a dor, o sofrimento, a inquietação, a angústia, a dificuldade... Atendem a uma determinada necessidade que, na maioria das vezes, tem origem em vosso mundo íntimo. Revelam um aspecto ignorado da vossa intimidade reclamando atenção, trabalho, modificação, melhoramento... Por isso, reiteradas vezes, tenho recomendado paciência e resignação perante as situações adversas.
- Mas Mestre, - interpelou Thiago – acaso a Divindade nos colocou no mundo para sofrer?
- Evidente que não, Thiago – ripostou o Mestre – Deus vos colocou no mundo com o mesmo objetivo que o lavrador deita a semente no solo: para desenvolver-se, crescer, amadurecer e dar frutos. A semente, para cumprir sua finalidade, enfrenta a escuridão do buraco em que foi posta, a pressão da terra, a morte de si mesma para que o broto surja, a fragilidade inicial, a ameaça de pragas, os rigores do tempo, etc., até concluir seu ciclo natural. Poucos, no entanto, se dão conta do imenso caminho, cheio de obstáculos e dificuldades, que vai de uma simples semente até o seu fruto. Guardadas as proporções, vós sois como uma semente, para cumprir sua finalidade, enfrentais a escuridão do desconhecido, a pressão da sobrevivência, a morte das ilusões, a fragilidade do caráter, a ameaça das quedas sucessivas, os rigores do trabalho exaustivo, a dor, o sofrimento, a inquietação, a angústia, as dificuldades, etc., até concluirdes vosso ciclo natural. Quase ninguém se dá conta disto! As condições adversas da vida, eu teimo em insistir, são indispensáveis para o crescimento.
- Mas não há – tornou a se manifestar Thiago – uma maneira de viver na Terra sem sofrer?
- Thiago! - disse o Mestre – Conheceis alguém que não tenha sofrido em sua vida?
Após pensar alguns minutos, Thiago respondeu:
- De fato, nunca conheci ninguém que não tenha sofrido!
O Mestre deteve seu olhar amoroso em Thiago e continuou:
- Em verdade vos digo que a dor e o sofrimento são características comuns dos planos existenciais limitados quais a Terra. Onde há ignorância, maldade e medo, também há dor e sofrimento!
- Mestre! – perguntou Thiago – Não haveria da parte de Deus injustiça ou, talvez, negligência, em deixar as suas criaturas sujeitas a toda sorte de misérias e dores?
- Thiago, Thiago! Não blasfemeis - afirmou o Mestre com firmeza – Quantas vezes será necessário dizer que os planos de Deus não contém erros? Que são precisos em suas minúcias e especificidades? Não há injustiça, muito menos negligência, da parte de Deus em relação às suas criaturas. Em tudo vige a sua providência e misericórdia. Nenhuma lágrima tomba da vista em vão! Todos vós sois seres comprometidos com a consciência. Eu vejo muito além... Sob os corpos carnais da vida atual, percebo seres falidos em suas experiências anteriores, adúlteros, assassinos, criminosos em geral... Não vos lembrais de nada disto, por efeito da misericórdia divina, pois a lembrança constante dos vossos erros de antanho vos prejudicaria a corrigenda e talvez atravancasse o vosso avanço. Assim, quando sofreis, na maioria das vezes, este sofrimento nada mais é do que a consequência dos erros cometidos em outras vidas.
- Não existe – interpelou novamente Thiago – uma forma de minorar a dor e o sofrimento, tornando a vida mais amena e feliz?
Esclareceu o Mestre:
- Isto é bem outra coisa. Grandes Missionários têm vindo ao vosso encontro, por ordem de Deus, revelar as sublimes leis que regem a vida. Nada mais fazem do que concitar a todos à sua observância e obediência. Pois bem, eu vos digo que aquele que conhece as leis divinas e vive de acordo com elas experimentará, ainda na Terra, as bem-aventuranças que vos tenho anunciado. A felicidade, que é um estado interior do indivíduo, está diretamente relacionada a uma conduta reta, à pratica do bem, ao exercício da caridade, enfim, à vivência das mais nobres e sacrossantas virtudes. De modo que quem obra no bem, mesmo experimentando dor ou sofrimento, sente-se, de alguma maneira, feliz! Vede os profetas. Quantos deles foram ultrajados, perseguidos e mortos, mas em seu íntimo estavam felizes, porque viviam de acordo com as leis soberanas da Divindade.
Interrogou, ainda, Thiago, ávido dos informes do Mestre:
- As leis divinas são muito amplas e abrangentes. Existe uma que possa resumir a todas elas e, assim, nos facilitar a observância e vivência?
- Thiago! – asseverou o Mestre cheio de ternura – Há quase três anos estou no meio de vós ensinando e exemplificando cotidianamente a lei a que vos referis e ainda não a identificastes? Trata-se da Lei do Amor. Ela, sem dúvida nenhuma, sintetiza todas as outras. Aquele que ama, pelo simples fato de amar, é mais feliz que os demais. O amor é tudo. O amor é paciência, resignação, doação, dedicação, perseverança, paz, contentamento, realização, vida... Deveras, a dor e o sofrimento só desaparecerão da Terra quando amar-vos uns aos outros.
Thiago, fortemente impressionado com as palavras do Mestre, agradeceu-lhe com o coração transbordante de satisfação, parecendo ter encontrado um tesouro de valor incalculável.
O Mestre conclui sua fala da seguinte forma:
- Meus queridos, não vos inquieteis com a chegada da dor. Procurai ver nela um desafio a ser superado, uma oportunidade de ascensão. Não olvideis que toda subida é árdua, exigindo fôlego e persistência. Sabeis, enfim, que estais na Terra para desenvolver as vossas potencialidades, aperfeiçoando-vos incessantemente. Da mesma forma que é longa a marcha da semente ao fruto, também é longa a vossa marcha até Deus.
O Mestre estabeleceu nova pausa à sua preleção, a fim de atender alguns casos particulares que exigiam sua atenção, multiplicando consolo e bênçãos.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
UM DIA COM O MESTRE - PARTE II
II – O Mestre esclarece de onde viemos
Bartolomeu, quebrando a quietude ambiente, aproxima-se do Mestre e lhe indaga:
- Mestre! Se saímos das mãos da Divindade, tendo sido projetados pela sua Magnânima Sabedoria, quando isto teria acontecido? Teria, por acaso, ocorrido no momento de nossa concepção?
O Mestre, paciente, informou:
- Bartolomeu, Deus possui os seus segredos... Vossa mente é ainda incapaz de compreender os enigmas cósmicos de que fazeis parte. O vosso Espírito já existia há muito tempo antes da concepção. Quando ele foi criado, no entanto, é coisa que não tenho como vos dizer, porque não me compreenderíeis. Saístes da Divindade, como as palavras saem de minha boca neste momento, por efeito da sua vontade. O tempo e o espaço, como os entendeis, não existiam. É como se cada Espírito fosse uma realidade específica, uma flecha artesanal lançada na direção do sem-fim...
Bartolomeu, manifestando incompreensão, asseverou:
- Mestre! Compreendo que Deus me criou, no entanto, não consigo entender como pode ter me criado antes da concepção, como pode ser isto?
- Vós todos sois crianças espirituais – exclamou o Mestre de forma branda – pois não compreendeis as coisas mais simples da existência. Acaso julgais que fostes feito no mesmo momento que o corpo de carne? Ledo engano! Se assim fosse, Bartolomeu, como explicar as diferenças que existem entre ti e os teus irmãos? Acaso André e Zaqueu não receberam em casa a mesma educação que recebestes? Como pode ser então que os três tenham personalidades tão estranhas entre si? Vós e André, por exemplo, estão freqüentemente em oposição, nem parecendo irmãos consanguíneos. Em verdade, em verdade vos digo: cada um de vós é anterior ao corpo de carne, sendo hoje, o que fostes ontem, pois em tudo há continuidade e nunca será demasiado repetir que vós sois os herdeiros diretos de vós mesmos.
- Mestre – suplicou Bartolomeu -, explicai-nos melhor isto. Se existíamos antes do corpo carnal, onde estávamos?
O Mestre, então, seguiu sua explanação:
- Não vos ensinei, outrossim, que na Casa do Pai há muitas moradas?! Cada uma destas moradas abriga seres em conformidade com as suas características, podendo ser material ou não. A morada que vos falo, entretanto, refere-se a habitação do Espírito. Antes e depois da morte, cada Espírito acha-se no lugar que lhe é próprio. As moradas espirituais, assim, variam ao infinito e impossível seria descrevê-las todas. Todos, sem exceções, viemos de uma morada espiritual determinada e, após a morte do corpo carnal, retornaremos a ela.
- Mestre, - interpelou mais uma vez Bartolomeu – falai-nos mais sobre estas moradas. São lugares de alegria e ventura?
- Ah, Bartolomeu! - tornou o Mestre – Quão escassos são os vossos conhecimentos sobre as verdades do Espírito! Infelizmente, nem todas as moradas espirituais são de alegria e ventura, conforme indagastes, muitas são de dor e sofrimento. Não vos tenho dito: A cada um será dado de acordo com as suas obras? Pois as diferentes moradas espirituais constituem a consagração deste princípio. Repito: antes do nascimento e depois da morte, cada um encontra-se na morada espiritual em que melhor se enquadre por afinidade. Seria justo os maus e os bons habitarem o mesmo lugar?
Bartolomeu, ainda confuso, questiona o Mestre:
- Oh Mestre, ajudai-me a entender, como é possível que alguém possa vir de uma morada espiritual de dor e sofrimento para a Terra, acaso a Divindade a amaldiçoou?
O Mestre sorriu, ante a ingenuidade da pergunta, e esclareceu com ternura:
- Bartolomeu, Bartolomeu! Deus jamais amaldiçoa! Se o fizesse, seria como amaldiçoar a si mesmo, pois tudo é obra sua... Compreendei bem: aqueles que se acham numa morada espiritual de dor e sofrimento antes de virem para a Terra, é porque, em outra vida, procederam mal. Portanto, apenas sofrem as conseqüências dos próprios atos.
Espantado, Bartolomeu interrogou:
- O quê, temos então mais de uma vida?
- Como poderia ser diferente? - ponderou o Mestre – Como explicar as desigualdades existentes no mundo sem a doutrina das muitas vidas? Por que uns são ricos e outros miseráveis? Uns doentes e outros saudáveis? Uns alegres e outros tristes? Uns belos e outros feios? Não vos iludais, esta não é a primeira vez que estivestes aqui. Cada um de vós possuís inumeráveis existências!!! Bartolomeu, vós e vosso irmão André, já estiveram outras vezes juntos na Terra, conservando o mesmo antagonismo, porque um tem ferido o outro repetidas vezes ao longo do tempo. A vossa mãe, é o anjo da bondade, que tem estado a vosso lado, reunindo-os sucessivamente ao coração, na tentativa de que venhais a vos reconciliar de uma vez por todas um com o outro. Percebeis como nada é por acaso, tudo tem sua razão de ser na vida! Portanto, Bartolomeu, perdoai vosso irmão, se desejais também ser perdoado.
Bartolomeu, banhado em lágrimas, cumprimentou e agradeceu demoradamente o Mestre, que o fez ver que precisava resolver seu drama particular com o irmão antes de prosseguir o aprendizado das verdades eternas.
O sol estava à pino, aproximava-se o meio dia, a multidão já não conseguia mais manter o mesmo nível de atenção.
Ordenou o Mestre que fizessem uma pequena pausa para comerem algo e, em seguida, para aproveitar bem o tempo, continuar com o colóquio esclarecedor.
Naquele mesmo momento, alguns discípulos se puseram a repartir o pão entre os presentes.
Todos comeram em silêncio e em paz.
terça-feira, 13 de abril de 2010
UM DIA COM O MESTRE - PARTE I
I – O Mestre esclarece o que somos
Aquele era um dia muito especial. Era uma manhã diferente de todas as outras manhãs!
Os discípulos privariam da presença do seu amado Mestre.
A expectativa era tamanha que todos achavam-se em verdadeira festa íntima, em indescritível receptividade.
Na hora combinada, chegou o Mestre. Vestia sua tradicional túnica branca. Trazia os cabelos longos e ondulados como de praxe. Calçava humildes sandálias.
Esboçando leve sorriso, cumprimentou a todos, desejando bem-estar e paz.
Parecia o próprio sol.
Sua presença transfigurava-se em diáfanas claridades e dominava a todos pela força incoercível do seu magnetismo superior.
Lançando o olhar sobre a grande multidão, perscrutava o mundo íntimo de cada um que estava ali presente.
Fez uma prece, pedindo amparo e inspiração, e, em seguida, se predispôs a responder as perguntas de seus seguidores.
Não demorou muito, Nataniel lhe questionou:
- Mestre Querido, esclarece-nos acerca da nossa identidade, dize-nos, afinal, quem somos?
Respondeu o Mestre com a sua natural solicitude:
- Todas as religiões vos ensinam, inclusive a vossa, que sois um Espírito, sopro saído da Divindade, destinado a suprema glória.
- Mas como? - continuou Nataniel – Não somos, então, o nosso corpo?
- Evidente que não! - respondeu o Mestre – Vosso corpo é apenas uma pálida veste do vosso Espírito glorioso. Vosso corpo nasce, vive e morre. É transitório. O vosso Espírito não. Ele é imortal. É perene. Portanto, vós não sois estes corpos de carne, vasos frágeis, sujeitos a toda sorte de vicissitudes... Em verdade vos digo, vós sois Espíritos!
Perguntou ainda Nataniel:
- O corpo vemos e apalpamos, é fácil identificá-lo e percebê-lo. Mas o Espírito de que nos falais, como é? Qual a sua forma? Com o que se parece?
- Ah! Meus queridos – exclamou o Mestre – Quanta dificuldade em compreender coisas tão simples?! O Espírito não possui forma definida, pois trata-se de uma centelha, uma fagulha, uma chama. Nele repousa vossa identidade, vossa memória, cada uma das vossas lembranças, vossos desejos e sonhos, vossos sentimentos e emoções, vossos potenciais...
- No entanto, – interrompeu bruscamente Nataniel – custa-nos entender algo que não possua uma forma que possamos ao menos vislumbrar.
Esclareceu o Mestre:
- O vosso Espírito, em si mesmo, não possui forma alguma, ao menos uma que possais compreender. Todavia, reveste-o uma substância sutil, servindo-lhe de corpo espiritual, que é idêntico ao corpo de carne. Em verdade, o corpo físico constitui a sua cópia exata. Este corpo espiritual, assim, representa o ponto de ligação entre o Espírito e o corpo de carne, de modo que o que ocorre num reflete-se no outro por seu intermédio.
- Mestre, ainda uma dúvida! - pronunciou Nataniel – Se somos imortais, como dizeis, quando morre o corpo de carne, morre junto o corpo do Espírito?
Disse-lhe o Mestre com carinho:
- Nataniel, Nataniel! Abri a vossa mente ao entendimento das nobres verdades! Quando morre o corpo de carne, o corpo espiritual segue existindo como veículo do Espírito, sendo essencial para a sua manifestação nas novas realidades em que passará a se expressar.
- Mestre, perdoai minha ignorância, permita-me fazer uma última pergunta – falou Nataniel. – O que é que liga o corpo espiritual ao corpo de carne?
Afirmou o Mestre com docilidade:
- Nataniel, Nataniel! Aplicai-vos mais no estudo das Sagradas Escrituras, pois ali acham-se as repostas para todos os por quês, ainda que de forma emblemática. Os textos antigos já falavam do cordão de prata, que é um laço sutil e tênue que faz a ligação a que te referes. Desde a concepção, este cordão já existe prendendo o Espírito ao corpo de carne. Ele perdura durante toda a permanência do Espírito no corpo de carne. Somente se desfaz, quando o corpo de carne morre, devolvendo ao Espírito a sua liberdade.
Nataniel, sem ficar constrangido, agradeceu ao Mestre as palavras simples que lhe iluminaram o íntimo.
E o Mestre, como que resumindo o que até então havia exposto, sentenciou:
- Vós sois todos Espíritos Imortais, não vos enganeis! A parte essencial do vosso ser é a espiritual. Preexiste e sobrevive ao corpo de carne. É a herdeira de todas as vossas realizações e conquistas. Leva consigo a pobreza ou a riqueza que amealhastes na vida terrena, consistindo no modo como vivestes entre os vossos semelhantes. Vos digo isto para que modifiqueis vosso comportamento enquanto ainda há tempo. Muitos de vós conheceis a Lei Divina, mas poucos a têm praticado em seu dia-a-dia. O conhecimento que vos trago, sobre a vossa condição de imortalidade, é suficiente para que procureis tornar-vos melhor... Bem-aventurados são aqueles que compreendem estas minhas palavras e as vivenciam até as suas últimas consequências, pois o seu futuro será de alegrias e glórias!
A multidão manteve-se em silêncio, meditando na profundidade da lição recebida.
Assinar:
Postagens (Atom)