Pensamento...

"Eu sou o Colombo da minha alma e diariamente descubro nela novas regiões." | Gibran Khalil Gibran.

Buscadores espirituais...


 

terça-feira, 6 de abril de 2010

AO INICIARES O TEU DIA...



Aos primeiros clarões do novo dia
Levanta-te, ligeiro, e realiza uma oração,
Agradecendo pela noite que finda
E pelas dádivas que não tardarão..

Faze isto e sentirás profunda alegria
Emergindo do âmago do teu coração,
Contagiando, de maneira sincera e linda,
Todos aqueles que contigo se envolverão.

Acredite, teu dia transcorrerá em harmonia,
Sem nenhum contratempo ou irritação,
Cheio de paz, bem-estar, equilíbrio e, ainda,
Relações mais sinceras, que perdurarão...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

AUTA DE SOUZA E CHICO XAVIER - UM ENCONTRO INESQUECÍVEL!



Auta de Souza nasceu em Macaíba, Rio Grande do Norte, em 12 de setembro de 1876.
Sua vida se caracterizou por um martírio de dores.
Nem completara ainda três anos de idade, a morte leva sua mãe e, em seguida, o pai, deixando-a órfã.
Foram os avós maternos que assumiram a guarda sobre ela e mais seus quatro irmãos.
Aos seis anos, morre também o seu avô, ficando exclusivamente sob os cuidados desvelados de sua avó, D. Silvina de Paula Rodrigues, que Auta chamava carinhosamente de Dindinha.
Auta e seus irmãos são alfabetizados pelo serviço voluntário de um professor amigo da família.
Auta, em particular, apaixonou-se pelas letras e demonstrou desde cedo pendor para a composição poética.
Com oito anos, Auta já lia histórias para outras crianças, velhinhos analfabetos e para escravos em senzalas, demonstrando um pendor natural para o bem.
Aos dez anos de idade, uma tragédia se abate sobre a vida de Auta. Seu irmão Irineu, ao qual ela era muito apegada, morre em um acidente com uma lamparina, que explodiu em suas mãos, incendiando-lhe o corpo. Auta jamais esqueceria a visão confrangedora da morte do irmão amado.
Auta, a avó e os irmãos mudam-se para Recife. Ali, Auta é matriculada no colégio São Vicente, administrado por religiosas francesas, onde tem a chance de aprimorar sua formação, aprendendo inclusive dois novos idiomas, o francês e o inglês.
Auta não demorou a despertar o interesse das religiosas, revelando grande inteligência e sensibilidade.
Além de ler os escritos de Victor Hugo e Lamartine, Fénelon e Chateaubriand, elege para leitura e meditação diária o Evangelho de Jesus, no qual encontrou conforto para as dores e angústias de sua vida.
Aos dezessete anos, aparecem publicadas suas primeiras poesias, mais tarde enfeixadas em um livro, o seu único livro: Horto.
Auta acaba sendo vitimada pela tuberculose, que lhe infligirá dores lancinantes. Mas como o ferro que mostra o seu valor na forja, quando malhado pelo fogo, a dor tão somente desvelará a grandiosidade de Auta de Souza.
Retornando com a família que lhe sobrou, a avó e os três irmãos, de Pernambuco para o Rio Grande do Norte, converter-se-á, mesmo doente, na imagem viva do bom samaritano, ajudando a muitas pessoas pobres e sofridas.
O sofrimento, a dor e a morte constituirão a temática recorrente de suas poesias, todas elas perpassadas por uma profunda compreensão dos ensinos de Jesus.
Em 20 de junho de 1900, circula a primeira edição do seu livro, Horto, com 114 poesias distribuídas em 232 páginas, numa tiragem de mil exemplares que se esgotaram rapidamente.
Oito meses depois de ver seu livro publicado, exatamente no dia 7 de fevereiro de 1901, Auta de Souza fecha seus olhos para vida do corpo, abrindo-os para a vida do Espírito.
***
Francisco Cândido Xavier dispensa apresentações.
Maior médium de todos os tempos, o seu valor e importância seguem ignorados.
Nasceu nove anos depois da morte de Auta de Souza, em 1910, não tendo, portanto, conhecido-a em vida. Sequer ouviu falar dela na escola, já que precisou abandonar os estudos muito cedo afim de ajudar a família, que era muito pobre.
Desde a infância, Chico Xavier vivenciava experiências mediúnicas, embora só viesse a compreendê-las muito mais tarde.
Na escola, no último ano que estudou, no antigo primário, ante o desafio de escrever algo sobre o nosso país, lançado pela professora, apresentou-se à vidência do médium um Espírito que lhe ditou belíssima poesia, que deixou a todos boquiabertos, professora e colegas, que não concebiam como Chico Xavier havia conseguido escrevê-la. A partir de então, suas experiências mediúnicas se multiplicaram.
Em 1932, surge a primeira obra mediúnica de Chico Xavier, o Parnaso de Além Túmulo, reunindo centenas de poesias de mais de cinquenta poetas da língua portuguesa, tanto brasileiros como portugueses, que demonstravam através de seus versos que não haviam desaparecido para sempre, ao contrário, estavam vivos, mais vivos do que nunca, demonstrando de modo cabal a imortalidade.
Chico Xavier não conhecia a maioria dos poetas que escreveram através de suas mãos, muito menos tivera oportunidade de ler alguma de suas composições. No entanto, segundo alguns críticos literários, a identidade de estilo entre as poesias recebidas pelo médium e as que foram compostas em vida pelos poetas que as assinam é inquestionável.
O Parnaso de Além-Túmulo apresenta 16 poesias assinadas pelo Espírito Auta de Souza. Todas elas expressam uma semelhança impressionante com as poesias que formam a sua única obra em vida, o Horto.
O Dr. Elias Barbosa, entrevistando certa feita, o médium mineiro, pergunta-lhe:
“Recorda, de modo particular, alguma produção que ficasse inesquecível em sua memória?”
Ao que Chico Xavier respondeu:
“Sim, recordo-me de um soneto intitulado 'Nossa Senhora da Amargura', que, se não me engano quanto à data, foi publicado pelo Almanaque de Lembranças, de Lisboa, na sua edição de 1932. Eu estava em oração, certa noite, quando se aproximou de mim, o espírito de uma jovem, irradiando intensa luz. Pediu papel e lápis e escreveu o soneto a que me referi. Chorou tanto ao escrevê-lo que eu também comecei a chorar de emoção, sem saber, naquele momento, se meus olhos eram os dela ou se os olhos dela eram os meus. Mais tarde, soube por Emmanuel, que se tratava de Auta de Souza, a admirável poetisa do Rio Grande do Norte1”.
Das muitas comunicações que Chico Xavier recebeu do Além, cada uma era acompanhada das impressões específicas do Espírito que estava se comunicando. Segundo afirma o médium, como transcrito acima, uma das comunicações que mais lhe marcou foi o seu encontro com o Espírito Auta de Souza, dado a emoção que lhe contagiou a alma, quando escreveu através de suas mãos o seguinte soneto:
Senhora da Amargura
Mãe das Dores, Senhora da Amargura,
Eu vos contemplo o peito lacerado
Pelas mágoas do filho muito amado,
Nas estradas da vida ingrata e dura.

Existe em vosso olhar tanta ternura,
Tanto afeto e amor divinizado,
Que o do vosso semblante torturado
Irradia-se a luz formosa e pura;

Luz que ilumina a senda mais trevosa,
Excelsa luz, sublime e esplendorosa
Que clareia e conduz, ampara e guia.

Senhora, vossas lágrimas tão belas
Assemelham-se a fúlgidas estrelas:
Gotas de luz nas trevas da agonia2.
***
O IDE, Instituto de Difusão Espírita, numa feliz iniciativa, no 66° aniversário de Chico Xavier e no ano em que completaria o primeiro centenário do nascimento de Auta de Souza, publicou uma obra extraordinária, chama Auta de Souza, que reune quase toda a produção mediúnica da poetisa pelo médium mineiro, somando 63 sonetos e 24 trovas.
Colocando as duas obras lado à lado, Horto e Auta de Souza, percebe-se perfeita concordância entre ambas, tanto de forma quanto de fundo, evidenciando a mesma autoria.
A obra Auta de Souza, além de ser um cântico de ternura e esperança, constitui evidência muito forte a favor da imortalidade do ser, posto que reflete inequivocamente o estilo poético de sua autora espiritual quando ainda estava encarnada.
1BARBOSA, Elias. No Mundo de Chico Xavier. 2.ed. São Paulo: IDE. p.19.
2XAVIER, Francisco Cândido. Auta de Souza. 10.ed. São Paulo: IDE, 2004. p. 29.

sábado, 3 de abril de 2010

O HOMEM INTEGRAL – DIVALDO P. FRANCO/JOANNA DE ÂNGELIS


Publicado em 1990 pela LEAL Editora, O Homem Integral, psicografado pelo médium Divaldo Pereira Franco, tendo como autora espiritual Joanna de Ângelis, está destinado a marcar época na literatura espírita.
Primando pelo ineditismo, a obra realiza um profundo diálogo entre a proposta espiritista e a atual posição da Psicologia Profunda.
Inspirada em Jesus, modelo e guia da Humanidade, conforme a questão 625 de O Livro dos Espíritos, apresenta a tese do homem integral, que consiste no processo de desenvolvimento do ser humano em todos os seus aspectos (psicológico, emocional, cognitivo, familiar, social, etc.) até atingir a plenitude.
Organizada em nove capítulos, a obra apresenta uma gama muito variada de temas e assuntos: fatores de perturbação psicológica, autodescobrimento, o êxito, saúde e doença, maturidade interior, plenificação do ser, origem e natureza da consciência...
Se Joanna de Ângelis tivesse ditado apenas esta obra, já bastaria para consagrá-la como grande conhecedora da alma humana.
Aquele que deseja se conhecer melhor e se municiar de recursos para a superação das dificuldades e desafios da vida, não pode deixar de ler e, principalmente, estudar e meditar O Homem Integral.
Alguns excertos:
I - “Jesus, superando todos os limites do conhecimento, fez-se o biótipo do Homem Integral, por haver desenvolvido todas as aptidões herdadas de Deus, na condição de ser mais perfeito de que se tem notícia.
Toda a Sua vida é modelar, tornando-se o exemplo a ser seguido, para o logro da plenitude, de quem deseja libertação real.” (O Homem Integral, p.8).
II - “O homem é um mamífero biossocial, construído para experiências e iniciativas constantes, renovadoras.
A sua vida é resultado de bilhões de anos de transformações celulares, sob o comando do Espírito, que elaborou equipamentos orgânicos e psíquicos para as respostas evolutivas que a futura perfeição lhe exige.
O trabalho constitui-lhe estímulo aos valores que lhe dormem latentes, aguardando despertamento, ampliação, desdobramento.” (Fatores de Perturbação, cap.1, p.15).
III - “Esse amor a si mesmo [na perspectiva evangélica do amar ao próximo como a si mesmo] ergue o homem aos patamares superiores da vida que a sua consciência idealista descortina e o seu esforço produz. Meta a meta, ele ascende, fazendo opções mais audaciosas no campo do belo, do útil, do humano, deixando pegadas indicadoras para os indecisos da retaguarda. Sua personalidade se ilumina de esperança e a sua conduta se permeia de paz.” (Estranhos Rumos, Seguros Roteiros, cap.2, p.34).
IV - “O homem, realmente não se conhece. Identifica e persegue metas exteriores. Camufla os sentimentos enquanto se esfalfa na realização pessoal, sem uma correspondente identificação íntima.” (A Busca da Realidade, cap.3, p.48).
V - “Uma auto-análise cuidadosa, uma reflexão periódica a respeito dos valores reais e aparentes, a meditação sobre os objetivos da vida, concedem pautas e medidas para a harmonia, para o êxito real do ser.” (O Homem em Busca do Êxito, cap.4, p.73).
VI - “As doenças orgânicas se intalam em decorrência das necessidades cármicas que lhe são inerentes, convocando o ser a reflexões e reformulações morais proporcionadoras do reequilíbrio.” (Doenças Contemporâneas, cap.4, p.81).
VII - “O homem nasceu para a auto-realização, e faz parte do grupo social no qual se encontra, a fim de promovê-lo crescendo com ele. Os problemas devem constituir-lhe meio de desenvolvimento, em razão de serem-lhe estímulos-desafios, sem os quais o tédio se lhe instalaria nos painéis da atividade, desmotivando-o para a luta.” (Maturidade Psicológica, cap.6, p.91).
VIII - “O amor é uma conquista do espírito maduro, psicologicamente equilibrado; usina de forças para manter os equipamentos emocionais em funcionamento harmônico. É uma forma de negação de si mesmo em autodoação plenificadora. Não se escora em suspeitas, nem exigências infantis; elimina o ciúme e a ambição de posse, proporcionando inefável bem-estar ao ser amado que, descomprometido com o dever da retribuição, também ama. Quando, por acaso, não correspondido, não se magoa nem se irrita, compreendendo que, o seu, é o objetivo de doar-se, e não e exigir. Permite a liberdade ao outro, que a si mesmo se faculta, sem carga de ansiedade ou de compulsão.” (Plenificação Interior, cap.7, p.114).
IX - “O amor é o rio onde se afogam os sofrimentos, pela impossibilidade de sobrenadarem nas fortes correntezas dos seus impulsos benéficos. Sem ele a vida perderia o sentido, a significação. Puro, expressa, ao lado da sabedoria, a mais relevante conquista humana.” (O Homem Perante a Consciência, cap.8, p.132).
X - “A intuição da vida, o instinto de preservação da existência, as experiências psíquicas do passado e parapsicológicas do presente, atestam que a morte é um veículo de transferência do ser energético pensante, de uma fase ou estágio vibratório para outro, sem expressiva alteração estrutural da sua psicologia. Assim, morre-se como se vive, com os mesmos conteúdos psicológicos que são alicerces (inconsciência) do eu racional (consciência).” (O Futuro do Homem, cap.9, p.140).

sexta-feira, 2 de abril de 2010

CHICO XAVIER - 100 ANOS




Chico Xavier, és abençoado,
Elevadíssimo missionário,
Pelos Espíritos foste chamado
Para ser deles intermediário.

Por muitas pessoas procurado
Como medianeiro extraordinário,
Farol divino, grande iluminado,
Das bênçãos divinas, fiel dipensário.

Vida de doação e bondade,
Anjo benigno da caridade,
A todos atendeste com ternura.

Arauto da imortalidade,
Espalhaste na Terra claridade,
Que Deus te cumule de ventura!

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO



Aquele era um dia triste,
Dominado pela aflição...
Preso a um madeiro,
Jesus mirava a multidão!

Custava a entender,
Dentro do seu coração,
Como pudera ser vítima
De tamanha ingratidão!

Não eram aquelas as mesmas pessoas
Que o receberam com veneração,
Quando entrou em Jerusalém
Para cumprir a sua missão?!

Agora, ali estavam reunidas,
Assistindo com grande satisfação
Aos sofrimentos que lhe impunham,
Sem nenhuma dó ou comiseração!

Através de que sortilégio
O carinho e a admiração
Que todos por ele tinham
Mudaram em aversão?!

De que modo explicar
A estranha predileção
Do povo por Barrabás
Um assassino e ladrão?!

Não havia apenas ajudado,
Repartindo o próprio pão,
Indicando a fraternidade
Como norma e direção?!

Por que tanto ódio,
Raiva e indignação,
Se nutria por todos
Uma sincera afeição?!

Estando na companhia daquela gente,
Sentia uma estranha e triste solidão,
Que externou numa tímida lágrima,
Condoendo-se perante a incompreensão!

Mesmo assim, fitando o Céu,
Formulou uma sentida oração,
Implorando para a Humanidade
A dádiva da paz e do perdão...

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