Pensamento...

"Eu sou o Colombo da minha alma e diariamente descubro nela novas regiões." | Gibran Khalil Gibran.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O DOM DA MEDIUNIDADE - MARLENE NOBRE

 
 
 
Para compreender a fundo a questão mediúnica, O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, segue sendo a referência indispensável. Isso não quer dizer, todavia, que as demais obras que abordam a questão não o sejam. Pelo contrário, desempenham o importante papel de desdobrar e ampliar os seus fundamentos.
Um dos livros que cumpre satisfatoriamente esse papel é o que elegemos para comentar nesta semana: O Dom da Mediunidade – um sentido novo para a vida humana, um novo sentido para a humanidade, da médica, pesquisadora e conferencista Marlene Nobre.  Um dos muitos méritos do livro é tratar da mediunidade, como esclarece a autora na introdução, numa perspectiva que vai do céu para a terra, isto é, a partir dos informes dos Intrutores Espirituais, buscando compreender os seus mecanismos de funcionamento.
Embasada em Kardec, em metapsiquistas, em parapsicólogos e, sobretudo, nas revelações espirituais feitas pelo espírito André Luiz através do médium Chico Xavier, a autora contou com vastos subsídios teóricos, metodológicos e experimentais para elaborar o seu modelo descritivo e explicativo da faculdade mediúnica, fazendo-o com primor e grande poder de síntese.
O livro presta-se ao aprofundamento da compreensão da mediunidade, mas se aqueles que não têm muita familiaridade com o assunto vierem a lê-lo, não encontrarão muitos obstáculos, pois o texto é claro e conciso, os assuntos estão muito bem organizados e distribuídos nos capítulos e o estilo é simples e objetivo.
É um livro que todo o estudioso do Espiritismo deveria ter em sua biblioteca.
Segue abaixo a introdução do livro feita pela autora:
Você tem sentido batedeira no coração (taquicardia), arrepios pelo corpo, vontade de chorar sem motivo? Irrita-se com qualquer fato? Tem sonolência exagerada? Ou outros distúrbios do sono, como insônia, terror noturno? Padece, há anos, de dores pelo corpo, sem que encontre uma causa definida? Ou sente um pânico terrível sem causa conhecida?
Se você tem dois, três, ou mais, desses sintomas, já fez todos os exames aconselhados pelo médico com o qual se trata, tem feito uso regular dos remédios indicados, sem obter melhoras substanciais, fique alerta, porque tudo indica que você tem mediunidade.
Este livro pretende apresentar a mediunidade e o seu significado na vida das pessoas. Pretende explicar como a mediunidade aparece e por que ela é a causa de tantos sintomas como os que descrevemos acima. Tem também por objetivo explicar o modo pelo qual é possível lidar com a mediunidade de uma maneira saudável e benéfica para o corpo e para a alma.
De início, conceituamos mediunidade, procurando dar-lhe o seu real sentido. É faculdade inerente a todos os seres, como a faculdade de respirar. Por suas características, amplia os sentidos corpóreos e alarga, em graus variados, a capacidade de comunicação com o plano físico e com o espiritual. Suas raízes prendem-se à natureza mesma da constituição humana. Para entendê-la, é preciso ir além da matéria densa; compreender que somos constituídos de corpo físico, envoltórios sutis e espírito. Entendendo-se, por envoltórios sutis, os corpos invisíveis de que se reveste a alma -perispírito e corpo mental - ambos constituídos de matéria quintessenciada, até o momento, não detectada pelos aparelhos comuns existentes na Terra, porque se baseiam em tecnologia voltada à matéria conhecida.
As raízes da mediunidade estão fincadas no perispírito ou corpo espiritual, porque esse envoltório sutil permite a ação do espírito sobre a matéria; concentra em sua organização a perfectibilidade dos sentidos, possibilitando ao ser humano fazer uso de um sentido novo, que lhe expande a capacidade de comunicação, muito além dos sentidos corpóreos.
No exercício dessa função, o perispírito precisa utilizar-se de estruturas neurológicas ou implementos sensíveis do cérebro físico, que têm capacidade de captar a mensagem espiritual, em graus muito diferentes, e passar a informação do mundo extrafísico ao material. Com isso, a mensagem espiritual torna-se perceptível aos seres humanos, quer seja ela registrada de forma inconsciente ou subliminar, ou de maneira consciente, integral ou parcialmente.
Dentre essas estruturas cerebrais, a glândula pineal é a mais importante. Também conhecida como glândula da vida mental, ela recebe, decodifica e transmite as mensagens extrafísicas às várias regiões do cérebro, para que possam ser interpretadas e compreendidas. É fácil descobrir, assim, por que todos somos médiuns. Afinal de contas, todos nós possuímos perispírito e glândula pineal. Mas por que só algumas pessoas são médiuns ostensivos, ou seja, por que só em algumas pessoas a mediunidade se manifesta tal como a conhecemos? Além disso, por que apenas algumas pessoas exercem, efetiva e regularmente, os dons da mediunidade?
A explicação está na própria constituição do perispírito e da glândula pineal, conforme analisaremos nos Capítulos 3, 4 e 5 deste livro. Embora, sobre esse assunto, tenhamos mais perguntas do que respostas, propomos uma reflexão mais acurada sobre as revelações, inspirando-se nelas para efetuar pesquisas e ampliar conhecimentos.
Em uma das inúmeras entrevistas que deu, Chico Xavier, indagado sobre o conceito de mediunidade, enfatizou: "... Na essência, é afinidade, é sintonia, estabelecendo a possibilidade de intercâmbio espiritual entre as criaturas, que se identifiquem na mesma faixa de emoção e pensamento". E, em seguida, esclareceu: "Os sintomas podem ser variados, de acordo com o tipo de mediunidade. Irritabilidade, sonolência sem motivo, dores sem diagnóstico definido, mau humor e choro inexplicável podem indicar necessidade de esclarecimento e estudo".
Daquilo que hoje conhecemos, este livro procurou ressaltar os principais sintomas da mediunidade, segundo a diversidade dos dons ou carismas, vinculando a maioria deles às próprias funções da pineal. Assim como mostramos de que forma podem se tornar permanentes, constituindo-se, muitas vezes, em grave ameaça à saúde física e mental, na chamada mediunidade torturada ou na obsessão. Com isso, somos levados a ressaltar a importância dos pensamentos, uma vez que eles são tão essenciais na mediunidade quanto o leito é para o rio. Na verdade, constituem-se na base fundamental de toda comunicação.
Conhecer esses dados é importante para quem deseja desenvolver sadiamente a mediunidade, ou seja, educar-se mediunicamente. Para isso, é aconselhável procurar informações em fontes seguras, tanto em cursos e seminários, na Casa Espírita, quanto em leituras sadias, selecionando livros que instruam e estimulem o seu bom uso. No decorrer deste livro, seguimos as revelações dos espíritos instrutores contidas nas obras de Allan Kardec, no século XIX, e de Chico Xavier - Emmanuel, no século XX.
Para lançar as bases do Espiritismo, o Codificador da Doutrina conseguiu marginalizar a fraude, expulsando-a dos experimentos que fez; procurou estudar e classificar os fenômenos e seus produtores - os médiuns. Demonstrou que muitos dos fenômenos tinham origem na psique do próprio médium, sendo, portanto, fenômenos anímicos, como os denominamos hoje.
Seguindo a orientação de Kardec e a dos instrutores do século XX, há duas maneiras de classificar a mediunidade. A primeira delas tem por critério a fonte produtora: os fenômenos podem ser anímicos, i.e., produzidos pelos espíritos encarnados, ou podem ser espiríticos, produzidos por desencarnados. A segunda maneira de classificar a mediunidade se dá segundo o critério dos efeitos que podem ser físicos ou intelectuais, e produzidos tanto pelas almas dos chamados vivos quanto dos mortos.
Para facilitar a compreensão dos fenômenos anímicos - os produzidos pelo próprio espírito encarnado -, ilustramos com alguns exemplos, em capítulos como o do Fantasma Azul-Alaranjado, o dA Despedida de Elisa, o do Passageiro Salva Tripulação de Navio Encalhado, etc. Com eles, fica fácil compreender que a alma não está encarcerada no corpo, como se estivesse em uma caixa hermeticamente fechada, mas pode extravasar-se e comunicar-se além dos sentidos corpóreos.
Estão englobados, nos fenômenos anímicos, o desdobramento ou experiência fora do corpo, os diversos graus de sonambulismo natural, ou aqueles obtidos sob ordem hipnótica, a letargia, a catalepsia, a dupla vista, a doação de ectoplasma, etc. Desses, damos especial ênfase aos casos de desdobramento, seguidos de aparecimento dos duplos, até o fenômeno da bicorporeidade, quando o médium pode ser visto, materializado, em duas cidades ou localidades diferentes, ao mesmo tempo.
Os fenômenos anímicos tanto podem ser acompanhados de efeitos físicos quanto intelectuais. Há encarnados que podem emitir comunicações através da fala e da escrita, tendo a si próprios como intermediários, ou se servindo de outros medianeiros, para passar a mensagem, por exemplo, enquanto estão em estado de coma.
Além desses, existem os fenômenos espiríticos que se constituem na comunicação dos desencarnados. São considerados fenômenos mediúnicos propriamente ditos e podem produzir efeitos físicos e intelectuais. Dentre os efeitos físicos, são analisados os casos de materialização dos espíritos, completa ou parcial; as pancadas ou batidas; os transportes de pessoas ou objetos; a levitação; a doação de ectoplasma para os serviços de cura, etc. Dentre os fenômenos intelectuais, analisaremos a vidência, a audiência, a psicofonia, ou incorporação, a psicografia, a psicometria, etc.
A mediunidade é um sentido especial na vida do ser humano, que traz percalços e compromissos, mas também muito bem-estar, desde que sejam seguidos os caminhos que lhe tragam maior felicidade espiritual. Para tanto, o médium precisa aplicá-la tendo por base a caridade, o bem do próximo, vinculando-a, profundamente, à sua melhoria moral, que implica esforços constantes em vencer suas más inclinações, representadas pelos vícios, entre os quais o orgulho, a vaidade, a presunção. Quando exercida nessas bases, o médium passa a conhecer-se melhor e o seu desenvolvimento equivale a numerosas e prolongadas sessões de psicanálise, tendo como recompensa final a sensação de paz íntima, fruto do dever cumprido.
Mais do que um precursor, Kardec foi o fundador da ciência do paranormal. Com ele, temos o estudo minucioso da mediunidade; a classificação dos espíritos e dos médiuns; o papel desempenhado por estes nas comunicações e sua influência moral; a confluência da "constelação familiar invisível", que age sobre o médium e que é por ele influenciada; as interferências, mesmo inconscientes, dos pesquisadores e dos assistentes; os inconvenientes e perigos do exercício mediúnico mal direcionado; as rupturas dos campos psíquicos com a interferência de mentes estranhas, gerando processos obsessivos; as ações de cura magnética, etc. Tudo isso foi objeto de detalhado estudo, constituindo-se O Livro dos Médiuns em um verdadeiro tratado para a prática do paranormal. Sem Kardec, portanto, não há estudo sério das manifestações espirituais.
É preciso reconhecer, todavia, conforme a advertência dos próprios espíritos instrutores, que se comunicavam à época da Codificação, que o tempo passa e outros tipos de comunicação surgem, o progresso humano é inevitável, e, conseqüentemente, o da própria faculdade mediúnica.
Por isso mesmo, ao longo deste livro, adicionamos, às informações pioneiras de Allan Kardec, as revelações espirituais respigadas, na obra Chico Xavier - Emmanuel, elaborada ao longo do século XX, particularmente nos livros de autoria do médico desencarnado André Luiz, que as ampliam e complementam. Aliás, são elas que dão a real perspectiva pela qual descrevemos os fenômenos nesta obra: do céu para a terra. Essa visão privilegiada, proporcionada pelos espíritos instrutores, permitiu-nos observar melhor os fatos já descritos e pesquisados anteriormente, não apenas por Kardec, mas também por metapsiquistas e parapsicólogos, que são, no entanto, de difícil assimilação por parte dos que lidam, diuturnamente, com a mediunidade, quais sejam, os fenômenos anímicos, os de exteriorização da sensibilidade, o de psi-cometria, etc.
Não podemos nos esquecer, igualmente, de que a Ciência teve extraordinários avanços, no século XX, principalmente quanto às revoluções conceituais da física quântica, que têm lançado novas luzes à compreensão dos fenômenos mediúnicos, como podemos constatar nas inúmeras informações importantes contidas nos livros Mecanismos da Mediunidade e Evolução em Dois Mundos. Estas, porém, embora tenham sido inseridas em vários capítulos deste livro, não poderiam se constituir, aqui, em objeto de estudo específico, por isso, reconhecemos a necessidade de analisá-las, futuramente, em uma obra de cunho científico, que seja fruto de um trabalho de equipe, na qual procuremos dissecar a neurofisiologia da mediunidade.
Neste livro, também não teríamos condições de dar mais amplas informações sobre os fenômenos de cura, em toda a sua diversidade e complexidade, razão pela qual pretendemos dedicar-lhes uma obra exclusiva no futuro. Aqui, fornecemos tão-somente algumas questões básicas para quem deseja dedicar-se aos passes ou às ações magnéticas de cura. Do mesmo modo, não foi possível abordar, neste livro, em profundidade o desenvolvimento da mediunidade e os fracassos e sucessos de médiuns e doutrinadores, nas tarefas assumidas perante o Mundo Maior; apenas fornecemos alguns dos dados mais importantes sobre o assunto, quando tratamos de mediunidade e obsessão. Pretendemos, no entanto, voltar a este tema em obra à parte.” (NOBRE, 2007, p.11-18).
Referência:
NOBRE, Marlene. O dom da mediunidade – um sentido novo para a vida humana, um novo sentido para a humanidade. São Paulo: FE Editora Jornalística, 2007. 186p.

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