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sábado, 10 de abril de 2010

O SR. HOME E ALLAN KARDEC



Foi na década de 50 do século XIX que Allan Kardec passou a se interessar pelos fenômenos espíritas. Cético, num primeiro momento, cedeu aos apelos de um velho amigo para assistir a uma sessão em que aqueles fenômenos se verificavam. Viu neles algo de sério. Desde então, observou, estudou e analisou aprofundadamente tais fenômenos. Deste labor nasceu o Espiritismo.
Interessado em todo tipo de manifestações que evidenciasse a intervenção do Mundo Espiritual, teve a sua atenção atraída para Daniel Dunglas Home, talvez o mais extraordinário médium do século XIX. Em sua presença ocorriam impressionantes fenômenos, classificados por Kardec de efeitos físicos, como por exemplo a movimentação de objetos, suspensão de corpos no ar sem nenhum ponto de apoio, materializações, etc.
Numa das vezes que o médium esteve em Paris, provavelmente em 1855, Allan Kardec teve a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente e testemunhar as surpreendentes manifestações que tornaram o Sr. Home tão famoso. Nessa ocasião, além de presenciar a materialização de mãos invisíveis, podendo tocá-las e sentí-las, assistiu a um episódio de levitação, em que o médium foi elevado a mais de dois metros acima do solo, podendo-se inclusive caminhar embaixo dele.
Estudando a mediunidade do Sr. Home e acompanhando-lhe a trajetória, Allan Kardec publicou três artigos sobre ele na Revista Espírita, que saíram nos meses de fevereiro, março e abril de 1858. Desses artigos destacamos alguns excertos a fim de fazermos um rápido exame.
Escreve Kardec que:
O Sr. Home é um médium do gênero dos que produzem manifestações ostensivas, sem, por isso, excluir as comunicações inteligentes; contudo, as suas predisposições naturais lhe dão para as primeiras uma aptidão mais especial. Sob sua influência, ouvem-se os mais estranhos ruídos, o ar se agita, os corpos sólidos se movem, levantam-se, transportam-se de um lugar a outro no espaço, instrumentos de música produzem sons melodiosos, seres do mundo extracorpóreo aparecem, falam, escrevem e, freqüentemente, vos abraçam até causar dor. Na presença de testemunhas oculares, muitas vezes ele mesmo se viu elevado no ar, sem qualquer apoio e a vários metros de altura1”.
Segundo as observações de Kardec o médium demonstra em suas faculdades um pendor especial para os fenômenos de efeitos físicos, que implicam na manifestação dos Espíritos mediante sinais materiais, tais como batidas, movimentação de objetos, transporte de corpos de um lugar para outro, etc. Todos que participavam das sessões protagonizadas pelo Sr. Home saíam fortemente impressionados pelo que viam e ouviam, convencendo-se da continuidade da vida após a morte e da comunicação com os Espíritos.
A notoriedade alcançada pelo Sr. Home, não passou desapercebida pela curiosidade da aristocracia da época, que passou a cortejá-lo. Na presença de Napoleão III, na França, e do Czar Alexandre, na Rússia, ocorreram as mais interessantes manifestações espirituais, levando-os a se certificarem da realidade das mesmas, através das quais puderam reatar relações com entes queridos já mortos. O médium conquistou-lhes a mais sincera afeição.
A faculdade mediúnica do Sr. Home era, por assim dizer, congênita, isto é, nasceu com ele, pois desde a infância os seus efeitos se patenteiam. Conforme afirma Kardec:
(...) Com a idade de seis meses, seu berço se balançava sozinho, na ausência da ama de leite, e mudava de lugar. Em seus primeiros anos ele era tão débil que mal podia se sustentar; sentado sobre um tapete, os brinquedos que não podia alcançar deslocavam-se por si mesmos e vinham pôr-se ao alcance de suas mãos. Aos três anos teve suas primeiras visões, não lhes conservando, porém, a lembrança. Tinha nove anos quando sua família fixou-se nos Estados Unidos; ali, os mesmos fenômenos continuaram com intensidade crescente, à medida que avançava em idade, embora sua reputação como médium não se tenha estabelecido senão em 1850, época em que as manifestações espíritas começaram a popularizar-se naquele país2”.
Constata-se, pelo exposto acima, que o Sr. Home, como a maioria dos demais médiuns, vieram para a Terra a fim de cumprir uma missão específica no terreno das coisas espirituais, uns de forma mais destacada, outros nem tanto. O Sr. Home, que viveu entre 1833 e 1886, cumpriu, sem dúvida alguma, importante mediunato, ou seja, uma missão mediúnica, que foi certamente programada de forma prévia no Mundo Espiritual e que ele desempenhou da melhor maneira que conseguiu.
Vale lembrar que a mediunidade do Sr. Home foi estudada meticulosamente por muitos cientistas da época, entre eles o Sr. William Croockes, que publicamente confirmou a autenticidade dos fenômenos por ele examinados.
O mais importante, contudo, é a confirmação da imortalidade, a certeza de que depois da morte o indivíduo segue vivo tal qual era... Esta confirmação decorre justamente das manifestações mediúnicas, nas quais a comunicabilidade com os Espíritos constitui fato seguro e bem estabelecido.
Em relação a imortalidade, a conservação da individualidade depois da morte e a comunicabilidade com os Espíritos, Allan Kardec narra dois episódios muito interessantes, recebidos de correspondentes amigos:
(…) Na casa de um de nossos amigos, que havia perdido um filho de tenra idade, é a mão de um recém-nascido que aparece; todos a podem ver e tocar; essa criança acomoda-se no colo da mãe, que sente distintamente a impressão de todo o seu corpo sobre os joelhos3”.
Será que podemos imaginar a emoção sentida pela mãe ao ter sobre o colo novamente vivo o filhinho que estava morto?! Por certo uma mãe não se equivoca ante a presença ou não do filho, estando ele visível ou invisível.
O outro episódio, narrado por Kardec, é o que segue:
Um outro gênero de manifestações não menos notável, mas que se explica pelo que acabamos de dizer, é o dos instrumentos de música que tocam sozinhos. Em geral são pianos ou acordeões. Nessas circunstâncias, vê-se distintamente as teclas se agitarem e o fole mover-se. A mão que toca ora é visível, ora invisível; a ária que se ouve pode ser conhecida e executada a pedido de alguém. Se o artista invisível é deixado à vontade, produz acordes harmoniosos, cujo efeito lembra a vaga e suave melodia da harpa eólica. Na residência de um de nossos assinantes, onde tais fenômenos se produziram muitas vezes, o Espírito que assim se manifestava era o de um rapaz, falecido há algum tempo, amigo da família e que, quando vivo, possuía notável talento como músico; a natureza das árias que preferia tocar não deixava nenhuma dúvida quanto à sua identidade às pessoas que o haviam conhecido4”.
O Espírito de um rapaz, que havia desencarnado há pouco tempo, dava mostras da sua sobrevivência após a morte e da conservação das suas características pessoais, vindo a ser identificado e reconhecido pelas músicas que executou através da mediunidade do Sr. Home e que foram executadas da mesma forma que o eram quando estava encarnado. Entre os presentes, que tinham conhecido o rapaz em vida e privaram da sua intimidade, não restou nenhuma dúvida quanto a identidade do Espírito que se manifestava.
Daniel Dunglas Home teve um ministério mediúnico de aproximadamente trinta anos, ao longo dos quais angariou simpatias e antipatias, recebeu incentivos e críticas, provocou certezas e dúvidas. O dia em que a História da Humanidade for reescrita certamente se fará melhor juízo à seu respeito, compreendendo-se os grandes embates que travou para vivenciar a sua mediunidade, enfrentando tabus, preconceitos e toda a ignorância de uma época em relação às coisas espirituais.
Encerramos com a seguinte afirmação de Allan Kardec:
(…) Sua missão estava traçada; deveria distinguir-se entre aqueles que a Providência escolheu para revelar-nos, por meio de sinais patentes, o poder que domina todas as grandezas humanas5”. 

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1KARDEC, ALLAN. Revista Espírita - Ano 1858. 1.ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004. p.103-104.
2KARDEC, ALLAN. Revista Espírita - Ano 1858. 1.ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004. p.104.
3KARDEC, ALLAN. Revista Espírita - Ano 1858. 1.ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004. p.189.
4KARDEC, ALLAN. Revista Espírita - Ano 1858. 1.ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004. p.190.
5KARDEC, ALLAN. Revista Espírita - Ano 1858. 1.ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004. p.105..

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